terça-feira, 26 de julho de 2016

Coração de Mesa Riscado a Grafite



Coração de Mesa Riscado a Grafite

Inanimada, mimada, maltratada.
Estudantes a usufruem,
Tratantes a confundem.

Altar dos casórios,
Palco dos escritores,
Símbolo supremo dos escritórios.

Vendida, comprada,
Doada, lixada, pintada,
Montada, desmontada, desdenhada,
Compensada, carunchada.

Suporte supostamente sociável,
Atura copos, pratos, panelas, jarras de suco,
Cartas de baralho e murros de truco !

Agüenta as facas e suas pontas,
Agüenta contas, pregos e cola,
Livros, álcool, mimeógrafo, carbono e sola.

Suporta-nos !
Eu, a letra "e", Ela.

Distanciados pela injuntável falta de apetite,
Fusionados num coração de mesa riscado a grafite.

(Michel F.M.)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Cidadania Global


Cidadania Global

Porque me interroga Hermano ?
Afinal, não somos tão diferentes,
Residimos neste círculo plano,
Moramos nos mesmos continentes.

Um membro do mundo,
Cidadão Global.
Coexista, insista comigo,
Coexista, meu amigo.

Conhecerei o que há pra conhecer,
Quando acabar, reinventarei,
Novos limites,
Tele-guiados por outros palpites.

Requisitei ao consulado terrestre,
A Cidadania Global,
Naturalidade terráquea,
Passaporte a aval.

De São Paulo a Paris, De Berlin a Pequim,
Nova York a Istambul, Buenos Aires a Oslo,
Seul a Havana, Bagdá a Varsóvia,
De Roma a Sidney, De Lima ao Nepal,
Nairóbi a Londres, Moscou a San Juan,
Hanói a Kiev, De Lisboa a Lapônia,

O meu país é onde eu estiver,
Minha casa está no leste oeste,
Em minha cama estarei em paz,
Cobrindo os povos uma só veste.

Membros do Mundo.
Cidadania Global.

(Michel F.M.)

terça-feira, 19 de julho de 2016

A Invasão Começou


A Invasão Começou

Era uma vez um dia ensolarado,
Ninguém percebeu o que tinha de errado,
Quando acordei já era de manhã,
E nada mais era o mesmo.

Bateram na minha porta,
Eram os poliglotas,
Contando-me uma história,
Sobre o dia da invasão.

A invasão começou,
A invasão começou.

Há muito tempo atrás isso já acontece,
E só agora fazemos as preces,
As coisas mudam a cada dia,
Nós vivemos nessa agonia.

Pensamos que o mal está lá fora,
Mas muitas coisas são apenas história,
Nós somos capazes de compreender,
Pois nem tudo o que vemos é só TV.

A invasão começou,
A invasão começou.

Os vilões hoje em dia, são a nossa rotina,
E nós os heróis dessa correria,
A felicidade entre quatro paredes,
Para algumas pessoas é um inconveniente.

O mal nos dominou e agora,
Não somos mais os mesmos de outrora,

A invasão começou,
A invasão começou.

E aquela escuridão que não ia acabar,
Era apenas um eclipse solar.

(Michel F.M.)

quarta-feira, 6 de julho de 2016

VIDA Reduzida



VIDA Reduzida

Pães de mel com suco de morango.
Até 8 outonos leite com chocolate,
Dos 12 em diante café com leite.
Colchão estendido ao chão,
Relaxamento na matine.

Caixa de areia meio vazia meio cheia.
Anjos de porcelana ocultos na penteadeira,
Posicionados cuidadosamente
Para não serem vistos, como deve ser.

Ignorada na garagem uma pilha de notícias
Importantíssimas, (in) formando as traças,
Sendo afinal consumidas.
Edições desatualizadas, fora de circulação,
Acontecimentos; saúde, esportes, educação,
Mobiliários, obituários, inaugurações,
Baladas, high society, economia, dinheiro.
Vidas reduzidas a centímetro por coluna,
Servirão, para forrar o lixo do banheiro.

Uma garrafa de água, seca, alguém tem sede,
Mas o plástico do recipiente será reciclado,
Se ninguém jogá-lo no bueiro mais próximo,
Causando a próxima e (in) evitável inundação.

(Michel F.M.)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Sobreviventes de Um Naufrágio Social


Sobreviventes de Um Naufrágio Social

A questão não é a extinção de nossa empatia,
Ou a dissolução total da consideração,
Que um dia tivemos por nós mesmos;

E sim, o despropósito.

Não há...

Propósito.

Não ao...

Propósito.

Todos os seres humanos merecem crédito,
Na maioria das vezes nós damos crédito
Àqueles que já têm.

Somos gotas.
Uma gota não faz nada.

Algumas gotas decidem se unir.
As pequenas gotas, crescem.

Juntas, até desaguarem no oceano.
As gotas se tornam um bioma,
O maior bioma do planeta.

Vida melhor para milhões.
Seres / vivos.

O realismo é pessimista
E o otimismo ficcional ?

Cuidado !

Para não confundir realistas e pessimistas,
Pessimistas e passivos, oportunistas e prestativos,
Puxa-saquistas corporativos e corporativistas.

Corpos perdidos,
Entorpecidos, em termos técnicos.
Drogados, em termos populares.

Nos arredores alguém critica a transformação.

Esse alguém vende "mesmice",
Mais parcelada que a concorrência;
Está na promoção,
Com melhores condições de pagamento,
Cobrindo ofertas.

Ele come informações,
Salpicadas de dados estatísticos (citações inúteis)
E arrota "conteúdo" estomacal, referências fecais.

Pontos prós e contra,
Contrapontos estuporados no pós-operatório.

Minhas vísceras literárias
Expostas em um divã.
Meu divã, pois o divã psicanalítico
Jamais me acalmaria.

Ah, calmaria divina.

Obrigado !
Palavrinha mágica
Dane-se !
Palavrinha libertadora
Ambas dizem algo e em algo dão.

Expostos a rotinas,
Macias como entulho,
Cheirosas como lixo,
Limpas como a imundice.

Uma empolgação dilacerante toma conta,
De algo que não sou eu.

Castigo, não é tudo,
Carinhosamente podemos agir também.
Ensinando ao invés de surrar, que tal ?

Carinhosamente, memorize isto.

Carinhosamente.
Ass. Sobrevivente de um naufrágio social.

(Michel F.M.)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Viciado Irrecuperável


Viciado Irrecuperável

Quando você escreve
Pela primeira vez,
Nada acontece;

Quando você escreve
Pela segunda vez,
Certamente escreverá
Pela terceira

E quando o faz,
Já se tornou um
Viciado Irrecuperável.

(Michel F.M.)

domingo, 29 de maio de 2016

Hierarquia das Pisadas


Hierarquia das Pisadas

Tem aqueles que pisam nos outros,
Tem os que são pisados por outros,
Tem aqueles que apontam quem pisa,
Tem os que não pensam e pisam.
Aqueles que pensam em pisar,
Tem os que pisando pisoteiam.

Entre uma pisada e outra,
Tu leva um pisão.

E os pisoteados que não pretendem pisar
Mas já pisados de imediato pisam.
E o que mais pisou não mais pisa,
Não precisa, já que todos têm ao menos
Uma chance de pisotear e pisoteiam.
Por fim acerca dos que pisam, pisaram e pisarão
Sendo que (nem) todos têm o que lhe convém,

Entre uma pisada e outra,
Tu leva um pisão.

(Michel F.M.)

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Song Of The Imbromation


Song Of The Imbromation

I love Movies, Cars, Arms,
Marijuana, Teens and Tits,
Smurfs, Muppets, Morfétics,
CDs, DVDs and Blue Rays.

Jeans, burger, Xerox,
Shopping Center, Stores,
Making off's, Coffees and Hotdogs.

Go Yankees !

Big Trash cake Love
Life, American Alienation !
Fuck everyone of dessert
In our Song of the Imbromation.

Fashion, Marketing, Fast-food,
Nike shox, Coca-cola, Pepsi-cola,
Idol-cola, cheira-cola na sacola,
Television, Television is true !

Show, Sexy, Books,
Delivery, Skate, I hate…
I hate People, I hate You,
Businessperson, Magazines,

Office boy, Online, Offline,
Line in the sky and Lucy too,
Free lancer, Mouse and Rat,
I love beach, bitches and ass oh yes.

I love manipulation,
I love rehabilitation,
Fuck your nation,
Fuck all nations.

Big Shit cake Love
Life, American Alienation
Fuck everyone of dessert
In our Song of the Imbromation

American Disinformation
American Alienation
In our Song of the Imbromation.

(Michel F.M.)

O Verbo Se Fez Concreto


O Verbo Se Fez Concreto

E o verbo mais obvio e imprevisível
Que precisaremos conjugar;
A primeira e a última necessidade será de...

Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir |amar| existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir |respeitar| existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
|questionar| existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir |partilhar|
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir |sacrificar| existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir |meditar| existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir |agregar|
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir |suspirar| existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir |orar| existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir |chorar|
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir |sonhar| existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
|estar| existir existir existir existir
Existir existir existir existir existir
Existir existir existir. |reiniciar...

(Michel F.M.)

domingo, 1 de maio de 2016

Grandes Astros


Grandes Astros

Qual é a diferença
Entre um astro e um fã ?
Quem criou essa crença ?
Ditadura pagã.

Com roupinhas bonitas
E alguns acessórios,
Com canções mal escritas
De amores ilusórios.

Quem se importa com eles ?
Os papéis vão rasgar,
E nossas pobres vidas
Irão continuar.

Grandes Astros dos Pôsteres,
Das paredes dos quartos,
Profissões tão medíocres
Quanto espalhar boatos.

Sinto o vazio que nos sugou,
A rotina a mil, ninguém se importou,
Se foram os valores
E quem os preservou,
Não sobraram nem flores,
A estima expirou.

Grandes Astros dos Pôsteres,
Das paredes dos quartos,
Uma vida fugida e alguns mimos baratos.

Não sou um astro, não sou ninguém,
Sou só mais um fiasco,
Entre os que não têm.
Mas quero amar também.

E ser visto aqui, como quem foi alguém,
Não queria ser astro, não queria ser rei,
Só queria dizer que vivi para o bem.

Grandes Astros dos Pôsteres,
Das paredes dos quartos,
Lá se vão os encartes e ficam os atos.

(Michel F.M.)

domingo, 17 de abril de 2016

Luma


Luma

Tive muitas aventuras,
E garotas diferentes,
O namoro é uma cultura,
Repassada aos descendentes.

Cultivamos a ternura,
Em fragmentos pertinentes,
Eu busquei a flor perfeita,
Esperando achar alguma.

Você foi a cor eleita,
No mesmo ponto
Te espero Luma.

Te espero Luma no mesmo ponto,
Será completo o nosso encontro,
A beira mar sob o luar,
Nós teremos um ao outro.

A minha vida era insegura,
Era assim que eu gostava,
Amava com ternura,
Porém nunca me entregava,
Mas Luma me ensinou,
A realizar o que eu sonhava.

Tive várias influências,
Aprendi com cada uma,
Sou a pura experiência,
Resumindo digo em suma:
Foram muitas as tendências,
E a mais forte foi a Luma.

Te espero Luma no mesmo ponto,
Será completo o nosso encontro,
A beira mar sob o luar,
Nós teremos um ao outro.

(Michel F.M.)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Franzina Modéstia No País da Soberba


Franzina Modéstia No País da Soberba

O que será dela
Sem apadrinhamento ?
O que será dela
Sem financiamento ?

Injeção na testa
É o que exacerba.
O que será desta
Plebeia sem verba ?

Franzina Modéstia
No País da Soberba.
Franzina Modéstia
No País da Soberba.

O que será dela
Sem julgamento ?
O que será dela
Sem rendimento ?

Uma coisa é certa
Em seu detrimento,
Pra Franzina Modéstia
Não há salvamento.

Franzina Modéstia
No País da Soberba.
Franzina Modéstia
No País da Soberba.

(Michel F.M.)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Historieta do Nauseabundo Asqueroso


Historieta do Nauseabundo Asqueroso

Venho de um lugar grotesco,
Onde acreditam que a única forma
De viver feliz para sempre
É ser infeliz enquanto viver.

E que só seremos mais,
Se formos o menos possível.

Mas esta é uma teoria
Para pessoas inteligentes
E compreensivas,

Eu sou intolerante e obtuso.
Resumindo a Historieta
Do Nauseabundo Asqueroso
(torpe infame repelente,
Abjeto sórdido e ignóbil).

(Michel F.M.)

domingo, 13 de março de 2016

Manifesto do Sentir


Manifesto do Sentir

Senti que sem ti
O sentir se dissipa
Senti que com ti
O saltar para quedas

Senti que sem ti
O pairar é sem pipas
Senti que com ti
Curvas são paralelas

Senti que sem ti
Atear é sem fogo
Senti que sem ti
O tear é sem roca

Senti que sem ti
O efêmero é longo
Senti que sem ti
A perdiz tá sem toca

Senti que com ti
O cerol é refresco
Senti que com ti
Colisão é afresco

Sem ti eu Senti
Que o sem é pretexto
Sem ti eu senti
Que o com é honesto

E vem manifesto
Em nosso contexto.

(Michel F.M.)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Longa Róliudiâno


Longa Róliudiâno

Produção barata,
Intérpretes de terceira,
Tapumes pré-moldados,
Um script de asneiras,
O possante, os malvados,

Pancadaria e bebedeira,
Rachas, berros, tiroteio,
A cachoeira, a ribanceira,
Jaquetas pretas, o rodeio,
Marshmelows e a lareira.

John, Jane and Joanne,
Loucamente alucinados,
Trucidando o quotidiano,
Exaltados, desvairados,
Num Longa Róliudiâno.

Trampando em lanchonete,
Tramando contra o tédio,
Trafegando na internet,
Traficando seu assédio.

Nível tático e diabólico,
Arremessando os currículos,
Adversários do bucólico,
Avaliados num cubículo.

Degustando a programação,
Cuspida de seu televisor,
Vomitando a superstição,
Que veio impor um estupor.

Taquei noutro canal,
Cansei daquela vista,
Tive a impressão
De que me vi protagonista.

John, Jane and Joanne,
Loucamente alucinados,
Trucidando o quotidiano,
Exaltados, desvairados,
Num Longa Róliudiâno.

(Michel F.M.)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Ensaio Sobre a Origem do Karma


Ensaio Sobre a Origem do Karma

O sentimento
Me foi insuportável,
Então pela primeira vez
Escrevi espontaneamente,
Sem que me mandassem fazê-lo.

Não era questão de gosto,
Tinha a ver com aversão,
Eu precisava expulsar
De meu interior
O que me esfolava.

(Michel F.M.)

domingo, 13 de dezembro de 2015

A Humanidade Não Dá Trégua


A Humanidade Não Dá Trégua

Viver em sociedade é viver assim:
Se você tem dinheiro, você é um homem livre,
Se você tá quebrado, que Deus te livre.
Se você tem amigos, você está no céu,
Se te sobra inimigos se amargou com o fel.

Construa uma prisão para se proteger,
Dos que aí fora estão para vencer você,
Se vive sempre na luta, se tem boa conduta,
Não viu ainda o que esse mundo lhe oculta.

A humanidade não dá trégua (não dá trégua).

Se você espera que eles te ouçam,
As paredes têm ouvidos, as muralhas não.
Se você espera consideração,
Vão passar por cima, te atropelarão.

Se não tá feliz com o que tem,
Para dois terços do mundo nem isso vem.
Tem guerra por terra, guerra por tesouros,
Tem guerra fria, guerra por louros,
Tem guerra mista e guerra dividida,
Só não tem guerra pela vida.

A humanidade não dá trégua (não dá trégua).

Vida difícil, extremamente sofrida,
Só depende de você aceitar a ferida.
O ser humano complica a situação,
Transformando tudo em complicação.

Será que é isso que somos ?
Será que vamos viver ?
Porque se assim for, não quero saber,
O que o destino virá a reger.

A humanidade não dá trégua (não dá trégua).

(Michel F.M.)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A Hora é Agora


A Hora é Agora

Não passei meus dias a toa,
A me perguntar,
O que você faria
Se estivesse no meu lugar ?
Decidi ser o seu Romeu,
E a minha Julieta não vai sofrer,
Estou te aguardando, faça o que tem que fazer.

A hora é agora
De você se decidir,
E fazer o que tem que fazer.

Escolha um lado para ficar,
Ou do meu lado, ou do lado de lá.
Prometeu que quando acabasse,
Não haveriam barreiras,
Para que a gente se amasse.

A hora é agora
De você se decidir,
E fazer o que tem que fazer.

Eu não tenho mais aquela idade,
Mas agora sei o que é amor de verdade.
Venha comigo, você não é mais criança,
Sei que até hoje só vivi de esperança,
Tudo que vivemos foi excepcional,
Sei que o que passamos foi por um ideal.

A hora é agora
De você se decidir,
E fazer o que tem que fazer.

(Michel F.M.)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

12012


12012

Ao chegar nesse endereço,
Tudo é mais contrastante,
O inverso e o avesso,
Paralisa nosso instante.

Não representa perigo,
Tenho pressentido,
Ouça o que eu digo,
Transparente e colorido.

No doze zero doze,
Mora quem me adoça,
Doce que te quero doce,
Mais um toque dessa moça.

Dose após dose
De tentativas em vão,
Consegui surpreendê-la,
Com um buquê em minha mão.

Parecia coisa pequena,
Meu número predileto,
Colhido em um canteiro,
A combinação do afeto.

Não sei se é impossível visualizar,
Mas se possível for,
Sei pra onde endereçar.

No doze zero doze,
Mora quem me adoça,
Doce que te quero doce,
Mais um toque dessa moça.
Ouça moça, moça ouça:
- Te quiero bien.

(Michel F.M.)

domingo, 13 de setembro de 2015

100 anos de Paz


100 anos de Paz

Conflitos no Oriente,
Combates no Ocidente,
Confrontos sem motivo,
Um processo recessivo.

Sem limites para acreditar,
Sem limites para estar,
Esperei um bom motivo para sonhar.

100 anos de Paz,
Foi com o que sonhei.

Tantas perdas de inocentes,
Só mais um, não é nada.
A ganância domina as mentes,
A soma do lucro é aproximada.

Um pingo de esperança,
Em plena tormenta,
Perseguindo a mudança,
A crença nos alimenta.

100 anos de Paz,
Foi com o que sonhei.

Apenas um sonho
Puramente irreal.
Espero que seja
Um sonho igual.

Quantos anos mais,
Nós devemos esperar ?
Esperei um bom motivo para sonhar,

100 anos de Paz,
Foi com o que sonhei.

(Michel F.M.)

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Verso Corrido: do Que Têm Não Falta Nada


Verso Corrido: Do Que Têm Não Falta Nada

Na rampa ela me acurrala,
Chamando pra brincadeira,
Desvia, faz volta e meia,
Corro dela, ela é corredeira.

Na arena baila quadrilha,
Escorrega rega a soleira,
Foi quem inventou a cartilha,
Dengo ela, ela se zangueia.

Aprecio com dever cumprido,
A mensagem imortalizada,
Quando solto esse verso corrido,
Do que têm não falta nada.

A primeira puxa a fileira,
Calada me arma cilada,
Saltitante esquenta a chaleira,
Do que têm não falta nada.

Debate de pura bobeira,
De meiguice a rabugice,
Corro dela, ela é corredeira,
Dengo ela, ela se zangueia.

Aprecio com dever cumprido,
A mensagem imortalizada,
Quando solto esse verso corrido,
Do que têm não falta nada.

(Autor: Michel F.M.)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Num Ato Desesperado Por Uma Paixão Correspondida


Num Ato Desesperado Por Uma Paixão Correspondida

Instruções ao nascer deveriam conter,
Explicadas em rótulo ou bula,
Cada miudeza seria legendada,
Evitando selecionar coisa chula.
Pula o que não presta,
Reprisa o que é festa.

Falando em festejar,
Me ocorreu um ocorrido,
Retratar um episódio,
Enamorado resumido.

Num ato desesperado
Por uma paixão correspondida,
Não conjurei o esperado,
Reagi de maneira destemida.

Até em tão fácil foi pretender,
Maquinar, esboçar, planear,
Logo teria eu que corresponder.

Sabia não que podia amar,
Amor achava que era inventado,
Por inventeiros vertiginosos,
De lugarejos acantonados.

Enganado me situava,
Predestinado estava a amar.

Num ato desesperado
Por uma paixão correspondida,
Reagindo de maneira destemida,
Correspondi.

(Autor: Michel F.M.)

sábado, 13 de junho de 2015

Cerimônia Ou Um Motivo Pra Vê-la


Cerimônia Ou Um Motivo Pra Vê-la

O linóleo ao chão
Continha pés trêmulos,
Me doía o baço
De tanta felicidade.

Oprimia-me os órgãos,
Saber da possibilidade
Do angustiante afastamento,
Da saudade que dá saudade.

Sensações enfileiradas
Em desordem alfabética.

Bocas falavam,
Lábios sorriam,
Dedos suavam,
Olvidos tiniam,
Palmas saldavam,
Olhos escorriam.

300 pessoas presentes,
287 lugares ocupados,
13 reservados a ninguém,
Alguém não tinha chegado.

Alguém estava chegando.
Só havia notado, por ser
A única pessoa que estava esperando.

Alguém é anunciado.
Talvez, quem sabe,
Seja Ela.

(Composição: Michel F.M.)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Conversa Genealógica Sobre a Experiência Alheia

15 anos grávida,
casou-se rapidamente,
para reparar um erro com outro.

Errar é totalmente humano,
o humano é totalmente errado.
Teve 2 filhos, se divorciou aos 19,
hoje com 36 está desquitada a 17.

Conheceu um subgerente de 24
numa festa beneficente,
estão casados a 3 anos,
tem uma filha de 8 meses,
do segundo relacionamento
firmado juridicamente.

Seu primogênito está com 21
e deu-lhe um netinho a 1 ano e meio;
a filha do meio fez 18
e não pretende se casar.

A família se reúne rigorosamente
aos sábados à tarde,
para churrascos no quintal
ou agradáveis piqueniques no parque.

Ela, o atual marido, o ex-marido,
os 2 filhos do primeiro casório, o neto,
a filha do segundo, a esposa do ex,
os três filhos dela com o primeiro esposo,

mais o filho do marido,
com a segunda esposa dele
e o pequenino filho da empregada,
que insistiram em trazer.

Sem comentar os 2 cães labradores,
do pai da esposa de seu primeiro cônjuge
e as sogras, sogros, tios, tias, sobrinhos,
primos, avós e afilhados.

Quando guardavam os utensílios,
depois do piquenique da semana retrasada,
confessou para a recente esposa de seu ex,
que a relação dela com o atual amante
não vai lá muito bem,
o casamento há algum tempo está em crise.

(Autor: Michel F.M.)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Menina Bá e o Balão Laranja


A Menina Bá e o Balão Laranja

De conto em conto o canto encanta
Contando enquanto acalanta.

Num pedaço fantasioso da realidade,
Em que o compasso traça
Porções desproporcionais,
Uma Bárbara Menina
Confirmou ser astral,
Totalmente celeste,
Ser mais que especial.

Atracou-se com um amigo,
Que a seguia onde fosse,
Deu-lhe um nome espacial,
Batizou-lhe de Pliê,
Seu balão, sua posse.

A Menina Bá e o Balão Laranja,
Por onde passa, alegria esbanja.

Não fazia falta o amigo não falar,
Porque Bá falava pelos dois.
Pliê flutuava a observar,
Balança lá e pra cá depois.
- Já pra casa Bá, logo vai chover !
Mas ela é teimosa, quer o tudo ver.

Uma Bárbara Menina, com seu Balão Laranja,
Por onde caminha, só energia e dança,
Que contagia e alegria esbanja.
A sabedoria é o sorriso de uma criança.

Por onde passa, alegria esbanja,
A Menina Bá e o Balão Laranja.

(Autor: Michel F.M.)

sexta-feira, 13 de março de 2015

Além das Estrelas

Além das Estrelas

Estou aqui te esperando
Olhando pra fora da janela,
Nessa singela estrada discreta,
Em uma casa na floresta.

Avistei ao longe minha bela moleca,
Cortando o caminho numa trilha secreta.
Você nunca foi lá muito correta,
Dispensando conselhos para coisas incertas.

Talvez foi por isso
Que a gente cruzou,
Nesse mundo de Deus
Nossos laços de amor.

Nós aqui vivemos bem, como for,
Estava lá, parado lá, o nosso amor.
Sós assim seremos um, ou até melhor,
Seja como for, como for.

Estava explícito nas estrelas,
Como o azul é certo no céu,
Com certeza esse é nosso papel.

Nós aqui vivemos bem, como for,
Estava lá, parado lá, o nosso amor.
Sós assim seremos um, ou até melhor,
Seja como for, como for.

Posso ver através da janela,
O nosso futuro e o que nos espera,
Não é só assim, é além daqui,
Além das estrelas, um amor sem fim.

(Autor: Michel F.M.)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Reciclando Retalhos Em Meu Eu Descartável

Reciclando Retalhos Em Meu Eu Descartável

Nosso inconcreto se concretizou,
Não se encaixando em qualquer definição,
Avançamos a etapa da distração,
Tapando os furos e as gafes,
Transpondo muros de pedra sabão.

Reciclando Retalhos,
Empilhando cascalhos,
Fragmento sou,
Em meu eu descartável.

Resíduos da sua fragrância,
Fragmentos da minha lembrança.
Todavia não fracassamos,
Deveras enfraquecidos estamos.

Provavelmente nos recuperamos,
Ou recuperaremos
As bobeiras que escaparão,
Diálogos longos,
Bobos parágrafos sem significação.

Reciclando Retalhos,
Empilhando cascalhos,
Fragmento sou,
Em meu eu descartável.

O sabonete que era seu desgastou,
A avelã que me deu estragou,
O estoque de aveia esgotou,
O banquete pra dois esfriou.

A aliança na gaveta
E o álbum guardado.
Ela está satisfeita,
Me vou conformado,

Reciclando retalhos
Em meu eu descartável.

(Compositor: Michel F.M.)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Gerônimo (Nos Estados Banidos da América a Narrativa de Um Nativo Americano)

Gerônimo (Nos Estados Banidos da América a Narrativa de Um Nativo Americano)

Poderia ser um índio anônimo,
Impetuoso em seu frenesi,
Mas consagrou-se
Como São Gerônimo,
Salvador dos apaches,
Protetor dos colibris.

Cravejou bravamente tua adaga,
Nos que violaram teu brio.

Ele não foi um índio anônimo,
Ele tinha um nome, Gerônimo !

Presentearam-no com usura,
Na fúria que se sucedeu,
Vinte anos de clausura,
Por um crime que não cometeu.

Colonizador ávido em louros,
Gerônimo perdido em apuros.

Ele não foi um Índio anônimo,
Ele tinha um nome, Gerônimo !

Nas Planícies erigiriam condomínios,
Ceifaram os espíritos de sua linhagem,
No deserto levantaram um cassino,
As Doutrinas escoaram pela margem.

Porventura não tornou-se um engano,
A narrativa de um nativo americano.

Toda vastidão de uma peleja épica,
Ocorrida nos Estados Banidos da América.

Ele não foi um Índio anônimo,
Ele tinha um nome, Gerônimo !

(Compositor: Michel F.M.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Espírito Celeste

Espírito Celeste

Milhares de quilômetros
Nos distanciaram,
Os gestos mais inóspitos
Revelaram suas faces,

Marchei entre parâmetros,
Que me dispersaram,
A exatidão multiplicou
As suas fases.

Eu não consegui tocar a Lua,
Teu corpo estava ali, teu espírito se fora.
Eu não consegui tocar a Lua,
A luz da minha noite deixou de iluminar.

Acabei cansando
E meus olhos serrilharam,
Na última cartada
Sai com quatro ases,

Mas antes da jogada
As luzes se apagaram,
Só uma fagulha
Alicerçou as minhas bases.

Eu não consegui tocar a Lua,
Roubou de mim a luz dizendo que era sua.
Eu não consegui tocar a Lua,
Roubou a minha luz dizendo que era sua.

Desta noite em diante,
Nunca mais a contemplei,
Me tornei um cego,
Pintando em uma tela,

Buscava as cores certas
E sem ver não duvidei,
Decorei o quarto
Que seria a minha cela.

Foi longo o período
Pelo qual me enclausurei,
Nem mesmo os percalços
Me fizeram desfocar,

Alimentei as forças
No percurso que tracei,
Objetivei uma vez mais te tocar.

Então consegui tocar a Lua,
Teu corpo estava ali, Teu espírito voltara,
Enfim consegui tocar a Lua,
A luz da minha noite finalmente retornara.

Resplandeceu no escuro,
Teu corpo e tua veste,
Emanando flamejante,
Teu Espírito Celeste.

(Compositor: Michel F.M.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Escritos

Escritos

A rajada gelada cortava seu beiço,
Estava gripado, tomado de tosse,
Cada pisada causava um tropeço,
Parábolas eram sua única posse.

Um bípede barbado,
Com roupas sovadas,
Cabelo cacheado
E calças rasgadas,

A frase lúdica que ele repetia,
Não era música, não era poesia,
Mas a enfática que ele pretendia,
Era sua voz rouca quem transmitia.

São apenas escritos,
Escritos apenas,
Escritos transcritos
E reescritos.

Não surpreenda-se
Com o que não é surpreendente,
Estamos muito surpresos ultimamente.

O conformismo é o lar do que não foi,
Resguardo para o que jamais será.
O maior problema que ao crescido cabe,
É alimentar a presunção de que tudo sabe.

São apenas escritos,
Escritos apenas,
Escritos transcritos
E reescritos.

(Compositor: Michel F.M.)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Elo Solene


Elo Solene

Estreita medida,
Vestida de preto,
Cabelos compridos,
Cobrindo seu peito.

Atraindo o olhar,
Centro das atenções,
Magnífico andar,
Motivo de inspirações.

Mas ela não é,
Só mais uma mulher.

Escondida em seu castelo,
Protegida pelo seu Elo,
Ela estará, lá estará.

O bilhete em chamas
Havia sido tingido,
Pelas suas lágrimas,
Que foram caindo.

Ela desistiu
De se comunicar,
Seu Elo Solene
Tinha que completar.

Trocou seu amado,
Sua paixão,
Pelo seu chamado,
Sua vocação.

Porque ela não é,
Só mais uma mulher.

Escondida em seu castelo,
Protegida pelo seu Elo,
Ela estará, lá estará.

Quando quiser parar de sofrer,
Te digo o que deves fazer,
Olhe pro entardecer,
Antes de escurecer.

E acene.
Lá estará,
A estrela,
Do Elo Solene.

Escondida em seu castelo,
Protegida pelo seu Elo,
Ela estará, lá estará.

Quando quiser para de sofrer,
Olhe pro entardecer.

E acene.
Lá estará,
A estrela,
Do Elo Solene.

(Compositor: Michel F.M.)

sábado, 13 de setembro de 2014

As 24 Horas Vividas de Um Verme


As 24 Horas Vividas de Um Verme

00h00 - nascimento para uma existência imperceptível

01h00 - descoberta dos primeiros sentidos (dolorosos)

02h00 - engatinha emitindo sons pouco compreensíveis

03h00 - inicia-se o adestramento de insignificância

04h00 - aprende a armazenar desapontamentos

05h00 - forçosamente é inserido à colônia parasítica

06h00 - sofre os maus tratos que traçarão sua deformidade

07h00 - perde qualquer doçura que jamais teve

08h00 - segue-se o adestramento de insignificância
(nível intermediário)

09h00 - realiza cursos complementares de sadomasoquismo e submissão

10h00 - conhece a larva que viverá ao seu lado pelos segundos que lhe restam

11h00 - conclui o adestramento de insignificância
(nível superior)

12h00 - horário reservado para a única refeição que fará

13h00 - forçosamente é inserido à colônia parasítica profissional

14h00 - procria com o desígnio de dar continuidade
Ao sistema vigente

15h00 - festa das quinze horas vividas de um verme
(se for abastado)

16h00 - desenvolve-se em sua abreviada e meteórica carreira parasítica

17h00 - destrói a abreviada existência imperceptível de outros vermes (ônus)

18h00 - recebe o retorno frutífero por 240 minutos de dedicação (bônus)

19h00 - forçosamente é extraído da colônia parasítica profissional

20h00 - reflete sobre os danos, prejuízos, lesões, estragos e avarias sofridas

21h00 - aprende artesanato
(devaneio que deslumbrava na fase juvenil)

22h00 - adoece sem amparo do estado maior ou seguro previdenciário

23h00 - morre desejando nunca ter existido

24h00 - obtém sua redenção (ato ou efeito de se redimir)

(Autor: Michel F.M.)

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Detalhes Subliminares

Detalhes Subliminares

A nuvem solitária no céu,
Lembra a silhueta de uma ilha.
A estrela que a milhares
De anos luz se dissolveu,
Incrivelmente ainda brilha.

Estes são os detalhes,
Mensagens subliminares,
Partes do infinito
E dos seus lugares.
Detalhes Subliminares.

Os trovões reluzem
Riscando o firmamento,
Vocações conduzem
Ao acerto de um invento,

As canções traduzem sensações,
Emoções produzem
Auto-conhecimento,
E estimulam as evoluções.

O som das árvores
Na floresta ecoa,
A paisagem dos luares
Cobrindo a lagoa,

Cena sem magia
Para olhos distraídos,
Pela tecnologia,
Contaminados e feridos,

Todos os instintos
Estão em extinção,
Anulados por produtos
Que entorpecem a visão,

E a sensibilidade
Em um estado terminal,
Implora a liberdade
Alegando ser vital.

Estes são os detalhes,
Mensagens subliminares,
Partes do infinito
E dos seus lugares.
Detalhes Subliminares.

(Compositor: Michel F.M.)

domingo, 13 de julho de 2014

De Tarde Vem Chuva

De Tarde Vem Chuva

A fauna se agita,
Coreografando na savana.
A flora precipita,
Ao bailar sobre a grama.

O sertão parece ser tão calmo,
Até o anúncio da irrigação,
O solo se torna alvo,
Na seca se encontra o pão.

De tarde vem chuva,
E o vento vem.
De tarde vem chuva,
Os rastros se vão.

Líquida hidrata,
Liquida fraquezas,
Vida refrata,
Estimulando belezas.

Todos os espaços vagos,
Ocupados pelo abraço dado.

De tarde vem chuva,
Excelência incontida,
A natureza triunfa,
Embriagando com vida.

De tarde vem chuva,
E o vento vem.
De tarde vem chuva,
Os rastros se vão.

(Compositor: Michel F.M.)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Célula Solitária

Célula Solitária
 
Triunfo simpatiza com fracasso,
Trunfo confia na mesmice,
A precisão confidencia ao acaso,
Entretanto, não nesta ocasião.

Célula solitária

Organismo vivo
Ambicionando sentido.
Fanatismo nocivo
Tramando suicídio.
Mecanismos destrutivos,
Regulamentos erosivos.

Próximos demais,
Ausência de privacidade.
Espécie melancólica
Exibindo intimidade.
Criaturas homônimas,
De interior inabitado.

Célula solitária

Megalópoles empanturradas de indivíduos,
Vidrados nos vultos das caixas de vidro.
Beltranos repartindo o jejum,
Decompondo-se em vala comum.

Oxalá nosso vazio se preenchesse,
Restaurando as avarias emotivas,
Evitaríamos citar tantos clichês,
Ocupando-nos com iniciativas,

Alternativas, perspectivas,
Tentativas efetivas.

Célula solitária

Se emancipando
Do isolamento da exclusão.

(Autor: Michel F.M.)

terça-feira, 13 de maio de 2014

A Parábola

A Parábola

Após descarregar seu discurso inflamado, a respeito dos valores morais e éticos, desmembrou as atitudes que corroem o alicerce da irmandade e das famílias; disparou a ira divina contra os pervertidos, depravados e desnaturados, trucidando os vícios demoníacos que circundam e afogam a sociedade. 

Ele deixou a igreja pela porta da frente. Com as costas voltadas para o templo, deu um suspiro; acendeu um cigarro, amaldiçoando em pensamentos todos os bem aventurados. levava consigo a oferenda dos fiéis. Ainda naquela noite, bebeu meio litro de Whisky, cuspiu num vagabundo que lhe implorou auxílio; dirigiu alcoolizado o veículo custeado pela paróquia;

Encostou à beira da estrada, deu carona para três crianças, duas meninas e um menino. Irmãos que moravam num acampamento mantido pela congregação. Na madrugada praticou atos terríveis. Os inocentes retornaram ao abrigo. Violados, marcados e corrompidos. irreparáveis em suas perdas. Ele voltou para sua cobertura; admirou fotos proibidas; tomou um copo de leite quente, fez uma oração antes de deitar.

Ps. Deus observou descrente, não podia acreditar.

(Autor: Michel F.M.)

domingo, 13 de abril de 2014

A Casa de Limões

A Casa de Limões

Numa tardinha
Me atordoaram
C'um causo.

Encostado do
Moinho da Sardinha,
Perambulava um garoto,
Que vivia numa casa
Feita de limões.

Ouvi um cochicho
Sobre um jovem Javali
Que se tornou padeiro.
E outro buchicho
Sobre um centenário Jabuti
Que se formou doceiro.

Mas este boato
É de maior capricho,
O aposento do guri
No topo dum limoeiro.

Construção ecológica.
Amarrava a dentaria
Sua hospedaria.
Parecia até mágica
Bruxismo ou feitiçaria.

Agora eu entendia
Quando minha mãe dizia,
Que existiam pessoas amargas,
Difíceis de manter relações.
Também pudera serem azedas,
Vivendo numa Casa de Limões.

(Autor: Michel F.M.)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ouço a sua Voz


Ouço a sua Voz
Sinto uma tristeza,
Quando fico sozinho,
Tinha a convicção,
Que esse era o caminho.
Fui seguindo seus passos,
Conduzindo meus atos,
As pegadas na areia
Começaram sumir.
Fiquei preso na teia
E os meus atos covardes,
Sei que agora é tarde,
Para tentar corrigir.
Eu tinha a certeza
De ter ouvido a sua voz,
Sinto uma tristeza
Quando nós ficamos sós.
Ainda ouço a sua voz,
Sozinho torço por nós.
Estamos imóveis
No mesmo cômodo,
A comida e os vinhos
Vão estragar,
Sei que nossa vida
Se tornou um incomodo,
Nós nos esquecemos
De como amar.
Eu tinha a certeza
De ter ouvido a sua voz,
Sinto uma tristeza
Quando nós ficamos sós.
Deixamos que os outros
Decidam por nós,
Mas os outros se vão
Quando ficamos sós.
Prometo alterar
Meu comportamento,
Sinto remorso, choro, lamento,
Por tudo que fiz você passar.
Eu tenho a certeza
De ter ouvido a sua voz,
Sinto a sua beleza
Quando nós ficamos sós.
(Autor: Michel F.M.) 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Bem-te-vi (voando por aí)


Como a gota na folha,
Em um breve chuviscar,
Como o aroma da flor,
Na primavera a brotar,
Assoviam os bem-te-vis,
Lá na copa da cerejeira,
Se banhando no chafariz,
Namorando a noite inteira.
Somos dois
Bem-te-vis,
Voando por aí.
Minha frágil passarinha,
De você eu vou cuidar,
Vou amá-la com carinho,
Protegê-la e guardar,
O inverno chegará,
Vem de longe e sozinho,
Mas o amor não faltará,
Pra esquentar nosso ninho.
Somos dois
Bem-te-vis,
Voando por aí.
A metamorfose
De cores e sons,
A fusão de um cristal
Em inúmeros tons,
Eu e Você
Como a Água na Terra,
Um abraço e um beijo
Onde tudo se encerra.
Somos dois
Bem-te-vis,
Voando por aí.
(Compositor: Michel F.M.)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Amor é Amável


O Amor é Amável

O amor é simples e admirável,
Complexo e inexplicável,
Fogoso e insaciável.
Pode ser invisível ou palpável,

Mas é com toda a certeza cultivável.
Quando verdadeiro é durável,
Fortalecido é indestrutível, inquebrável,
Se derradeiro mantêm-se infindável,

Mas nunca, jamais, intolerável.
Sentimento fino e agradável,
Nele o respeito deve ser respeitável,
Em sua existência, honrado e louvável,

Dependendo o caso e a ocasião é inadiável.
O amor perfeito é invulnerável,
Não pode tornar-se desagradável,
Ou então degradar-se tornando-se degradável.

Resiste aos trejeitos, a avenida do amor é transitável,
Sempre plausível, nunca vaiável,
Terrível é aquele irrecuperável.
Quando em público é observável,

O amor inconsciente é inimaginável,
E se amamos quem ama a gente fica inseparável,
Prova de amor é inquestionável,
A palavra transcende; é inominável.

Se fosse metal seria inoxidável,
Sendo sincero é insubstituível,
Mas aquele aventureiro é instável.
Quanto mais alto mais intocável,

Se for um presente é irrecusável,
Para todos um dia será irremediável,
Em sua nobre presença indispensável,
O amor é amável.

(Compositor: Michel F.M.) ©

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Soava Suave o Prazer Implacável


Soava Suave o Prazer Implacável
  
Foi a chave, fez a clave,
Veio a ave num suave sobrevôo.
Sobrevoa sobre nós, Sobrevoa
Aeronave que transporta
A consciência que ecoa.

Soava suave
O som que me salva,
Soou e salvou
E que soe e me salve.

Soava Suave
O Prazer Implacável !

Ecoa numa avalanche
De esplendor,
Seu esplendor,
Sou seu benfeitor,
Sou seu devedor.

Devo-lhe meu amor como troco
E devo supor
Que o prazer implacável,
Ainda que louco,
Deva ser formidável e recíproco.

Soando suave
O som que me salva,
Soou e salvou
E que soe e me salve.

Soava Suave
O Prazer Implacável !

(Compositor: Michel F.M.) ©

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Manipuladores (Mentores da Mentira)



Manipuladores (Mentores da Mentira)

Desde quando nós,
Desatamos nós,
Superamos sós,
Silenciando a voz.

Sendo jurados e réus,
Atuamos deliberadamente,
Aturamos displicentemente,
Alteramos indiscriminadamente
O ambiente em que habitamos.

Nós desatamos nós,
Nós atuamos sós,
Sós aturamos nós,
Nós alteramos vós.

Manipuladores,
Mentores da Mentira.

Manipulando com deboche,
Ventríloquos, fantoches,
Marionetes, bonecos.
Comentários ilógicos,
Num papel higiênico,

Domínio da arte cênica, do ar cínico.
Arsênico ao anêmico mímico.

Arquétipos irônicos,
Ventríloquos, fantoches,
Marionetes, bonecos,
Manipulados pelos mentores.

Manipuladores,
Mentores da Mentira.

(Compositor: Michel F.M.) ©

domingo, 13 de outubro de 2013

Seus Sussurros Versus Meus Urros





Seus Sussurros Versus Meus Urros

No aposento alagado,
Um acervo apinhado,
A morada do que marcou.

Par de brincos e um adorno,
Uma foto três por quatro,
As pantufas, as polainas,
Enlace firmado em contrato.

Seus sussurros
Versus meus urros
E você me vence,
Perco Feliz.

Encharcado e remendado,
Bate o arrependimento,
Desbarrancado e resgatado,
Que pende e não decai.

Tornando a remoer,
O que foi abandonado,
Rever o insuperável
Sendo superado.

Seus sussurros
Versus meus urros
E você me vence,
Perco Feliz.

(Compositor: Michel F.M.) ©

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Senhora do Sândalo


Senhora do Sândalo

Cordas vocais apuradas,
Bússola das caravanas,
Sobrancelhas delineadas,
Emolduradas Pestanas.

Emana seu íntimo,
Tua essência transpassa,
Derrama cadência,
Não anda, ultrapassa.

Assim Ela é,
Decência e escândalo.
Num meigo balé,
Senhora do Sândalo.

Escoltada por curiosos,
Poema, dom dos artistas,
Donativos vistosos,
Charada de ilusionistas.

Divulguem-na,
Tornem-a pública,
Venerem-na,
Tirania e República.

Assim Ela é,
Decência e escândalo.
Num meigo balé,
Senhora do Sândalo.

(Compositor: Michel F.M.) ©

Cynthia Ferraz
http://liberdadeimpressao.blogspot.com.br/

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Esmalte Craquelado


Esmalte Craquelado

Faiscava mais
Que um colar de strass,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.

Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan.

Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.

Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.

Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.

Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.

Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.

(Compositor: Michel F.M.) ©
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