Pular para o conteúdo principal

Postagens

O Imperador Pirou (A vulnerabilidade do invulnerável)

O Imperador Pirou (A vulnerabilidade do invulnerável) Em um Império Remoto, Longe de qualquer progresso, Imperava um Imperador, Temido por seus excessos. Seus domínios extensos, Das pastagens à cordilheira, Não serviram de aperitivo, Ao cruzar com a borralheira. O ilustre se cativou Com aquele avental, Sua política interna Virou extrema liberal, Ao contemplar a lavadeira Numa tarefa eventual. Uau. O Imperador Pirou, Se fez de camponês, Um barril de rum bebeu, Rasgou seu manto em três, Se proclamou plebeu, Abandonou o clube inglês, Não pensou no que perdeu, Só pensou no que não fez. Jamais se arrependeu, E no final era uma vez... Deu as costas à realeza E o galanteio virou papo, Seria ele e sua duquesa A Imperatriz do Farrapo. Nos registros do reinado Anotava-se um prefácio, A paixão de um sangue azul Pela empregada do palácio. O Imperador Pirou, Se fez de camponês, Um barril de rum bebeu, Rasgou seu manto em três, Se proclamou plebeu, Deixou de ser burguês, Não pensou no que perdeu...

Tosca Beleza

Tosca Beleza Algumas situações são inexplicáveis, outras situações simplesmente não precisam de explicação, ela não precisava, eu precisava dela. Aquele lugar inteiro estava em uma imundice só, uma baderna infernal; lixo, sujeira, pilhas de tranqueiras trancando a passagem, um piso encardido, ambientes encardidos, móveis encardidos. Ela acordou depois das 10h, deveria ter saído às 9h30; uma cara amassada pelo sono profundo da madrugada, um rosto belíssimo. Dizer que vê-la naquele estado matinal era encantador seria pouco, vestindo um pijama completamente esgarceado, desbotado e terrivelmente sensual, ela era toda errada e comum. Na maioria absoluta das vezes dispensava qualquer formalidade e etiqueta, era anti-etiquetas, fossem sociais ou em vestimentas informais, era informada, era formada e briguenta. Seu relaxo era charme, a negligência consigo mesma, forjava sua singularidade. Empurrou o portão, saiu. Na rua, na realidade mundana, era o centro, o centro de convergência, centralizav...

Silenciadores

Silenciadores Os armários chaveados, Meu orgulho arranhado, As carteiras arrumadas, Meu estômago revirado. Testemunhas silenciadas, Depondo silenciosas. Em meu silenciador, Após silêncio a dor. Silenciador, Silencie a dor. Desmontamos os pedestais, Anulamos a exposição, Rochas nocauteadas por cristais, Desparcerados pela discrição. Ela foi vítima, Eu fui vil, Ela é discreta, Eu sou sutil. Sentimentos silenciados, Depoimentos sussurrados, Enlaçados capturamos a libertação. Silenciadores, Silenciem as dores. (Compositor: Michel F.M.) © 2010

O mito que o mundo não conheceu

O mito que o mundo não conheceu No fundo ainda sou aquele garoto, Que sonhava em ser herói, Salvar a ninfa, abater o nefasto, Um garoto com um hobbie que não dói. Entretanto a ninfa não me quis, Mas ainda nos trombamos Nossos olhos se fitam, ela diz: Como vão os seus planos ? Respondo: vão bem e vós, Completa: eu também A isso se resume o veloz Contato apaixonante que a gente tem. Sou o sapo que não foi beijado, Um sapo desencantado. Já o nefasto, subestimei-o Se promoveu e saiu Quando foi transferido Do departamento, gargalhou e riu. Se encerrou aí o grande confronto. O heroísmo me levou a um cortiço, Afastado, mal localizado, onde me entoco, Pago aluguel do buraco, Prestes a ser interditado, Saio ou serei despejado, Recebo um salário mirrado, Similar a infiltração na parede de onde esquivo. Deleito-me nos passeios de coletivo. O contrário de deslumbrante, Até que seria um título instigante, "O mito que o mundo não conheceu", Ele não viveu feliz para sempre, mas viveu. (Comp...

Há de vir o que advém

Há de vir o que advém Se tu quiseres hei de querer também, Submeter-me-ei a seus termos passionais. Farei tudo o que lhe convém, Como vem comover, como vais... Ser a vela em meus castiçais, Será vela quando navegais, Dentre as algas dos corais. Se tu quiseres serei hélice quando voares, Serei asas enquanto planares, Sereia minha, água em meu aquário, Sobre os planaltos elevados, receptor e emissário. Serei Lince rasgando a neve, No extremo do hemisfério. Serás Alícia e serei seu coelho, Guiando-a no chamariz das maravilhas. Leve a sério, minha querida, Imperatriz entre as orquídeas, Duas passagens pras Antilhas, Só de ida. Nossa ida. Se tu quiseres sacrificarei meus compromissos, Quando me chamarem serei omisso, Somente a você responderei. Corresponderei a qualquer gesto. Ao piscar os cílios tu me resgata. Farei campana, armarei protesto, Escalando seu quarto, encenando a serenata. Ansiarei na enseada avistar-te, Dia, noite e madrugada, até despontar-te. Voando baixo, flutuando alt...

Absolvição de um Pecado Imperdoável

Absolvição de um Pecado Imperdoável Perdoe-me Pai. Peço desculpas Senhor todo poderoso, Peço que me absolva Deus meu, porque errei, Um erro imperdoável (inaceitável). Transgredi o mais importante, Grandioso e definitivo mandamento E como se não fosse o bastante Violei também o segundo maior, Aquele que o teu próprio filho proclamou. Mas não espero que me perdoe, Não espero perdão, por cometer A mais grave dentre todas as faltas, Porque meu pedido não é sincero, Não, não o é. Se me entregasse à sinceridade, Expondo-lhe tudo aquilo que interiorizo, Lhe confessaria que descumpri Os mandamentos mais sagrados, Pois acurralado por meus sentimentos, Não pude defender-me e cedi. Cedi ao que me foi avassalador, Dominante, devorador, atropelante, Predominante, preponderante. Cedi a Ela. Entreguei-me a Ela. Vendi-me a Ela. Engrandeci, amadureci, desfaleci, Me restitui por Ela. Te amei mais do que me amei, Te amei mais do que ao próximo E em meu pecado imperdoável Te amei mais do que a Deus E sobr...

Cinza de Fuligem

Cinza de Fuligem Certa vez conheci uma senhora, Que morava no interior, A chamavam de “Branca de Neve”, Não tinha nada de muito valor. Uma casinha no campo, Um jardim florido, Canto calmo longe do perigo. Numa tarde seca e quente, Lhe pedi um copo d’água Em frente à seu casebre, Espontaneamente me contou Sobre suas jornadas, Sem tartarugas ou lebres. Apenas um conto sem fadas. As ilustrações não eram leves E as indagações tão pouco breves. Seu apelido era uma piada, sua cor era parda, Mas “Branca de Neve” já estava acostumada, Pois desde jovenzinha tinha sido discriminada. Ao nascer prematura foi abandonada, Criada na favela da “Maça Envenenada”. Filha de uma mãe e vários pais, Que tinham outros filhos em diversos cais, A história se fazia, corrida diária, Aquela sobrevida na zona portuária. “Branca de Neve”, “Cinza de Fuligem”, Na “Floresta de Concreto” resistiu à sua origem. Foi adotada por uma bruxa, Acorrentada no porão pela madrasta, Era espancada, levou muita “bucha”, Se viu acur...