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Mostrando postagens de 2011

Dia do Anonimato *

Dia do Anonimato * Dobrou a esquina decidido A percorrer um trajeto inabitual, Descendo a rua irregular Notou pedestres e a muvuca central. Gradeados, o asfalto, telhados, Uma mureta com degrau, Lojas, butiques, bazares, Um açougue liquidando bacalhau. Automóveis, lixeiras, lixo no chão E alguma forma vegetal, Flores num canteiro, um bueiro, Caixotes, tubulações em geral. No estacionamento vazio Se encontrava escondido um casal. Paralelo ao centro financeiro, Muitas cifras, cortesia impessoal, Ternos de luxo, limusines, distinção, Suavidade fria e cordial, Um ligeira coxo que revirava Uma tralha imunda próximo ao local. Passava um cliente importante Pelo detector de metais digital. Trinta e dois minutos atrás, Uma madame foi assaltada; um marginal, Foi demitido de um emprego normal, Por não ter concluído 2° grau. Uns metros dali estouraram o cartel De uma quadrilha internacional, Esquema armado, escutas, grampos, Traçado por uma equipe federal. Ergueu a mão prum ex-companheiro Da época...

Fique Margô

Fique Margô Margô fica angustiada, Por não realizar suas proezas. Margô fica assustada, Só de pensar nos desacertos. Margô fica frustrada, Com o acúmulo das despesas. Com a quebra financeira, Fruto de concertos na cozinha E as prestações da geladeira. Margô fica chateada, Pensa estar congelada, Numa monotonia de desventuras. Anteontem saiu Sem rumo à surdina. Em sua quentura Rancou as cortinas, Desorientada e desiludida, Nem o abajur apagô. De todos os pedidos Que desejo lhe pedir, Peço apenas um: Fique Margô ! De todos os pedidos Que desejo lhe pedir, Apenas um peço: Fique Margô ! Por favor. (Compositor: Michel F.M.)

La Chica Radiante

La Chica Radiante Yo no hablo español Pero su sorriso Logo compreendi Estava tão iluminado Estaba muy soleado Que yo no resisti La Chica era muy Radiante Percorreu num instante Todo mi corazón Estaba tan palpitante Que la mía linguagem Se transpôs en canción Más que bela misión Más que una distracción Preservar su equilibrio En mi mejor visión Deparei-me com la pared Pero com su chamego Vivo solamente por usted Y no hay más hasta luego La Chica era muy Radiante Percorreu num instante Todo mi corazón Estaba tan palpitante Que la mía linguagem Se transpôs en canción Yo no hablo español Pero su sorriso Logo compreendi (Compositor: Michel F.M.) ©

Donde Vim

Donde Vim Donde vim... As Românias ruborizam, Margaridas maravilham, As Cidreiras sinalizam ali, Aos observadores Amadores e profissionais, O gramado toma Proporções excepcionais. A diferença é essencial, A igualdade inerente, À variedade natural. Ali, um pouco após a ponte, Vi germinar um monte, De Girassóis no Monte. Ali, para onde o peito aponte, Deixarei jorrar a fonte, Da vitalidade donde vim. Sim, perfumes vencem armamentos, Jasmim versus sofrimento, Balas batidas por Botões. Munições são a forma de despeito, De quem teme o sentimento Mais que os esquadrões. O poder de um ser sozinho, Sob a posse do carinho, Derrotando batalhões. Ali, um pouco após a ponte, Vi germinar um monte, De Girassóis no Monte. Ali, para onde o peito aponte, Deixarei jorrar a fonte, Da vitalidade donde vim. Donde vim é pronde vou, Rindo e ruborizando, Retornando ao que o tornou. (Compositor: Michel F.M.) ©

De: Mim / Para: Ti

De: Mim / Para: Ti Arranjamos amplos limites, Tumultuamos nossas autonomias, Desperdiçamos assuntos pertinentes, Insensíveis as anestesias. Recordo-me com requintes, De desprazeres absolutos, Das ceias natalinas Que não passamos juntos. Do evangelho que lhe teci, Do inesgotável, daqui e dali, Das letras tolas que lhe ofereci, De: Mim / Para: Ti Das franjas esvoaçantes, Do ranger do bebedor, Das transpirações dançantes, Do calor do cobertor. Dos poros que te aspiram, Da mutação das enzimas, Destes termos que desconheço, Dos alucinógenos e das morfinas. Não me interessam as pesquisas, Nem os avanços da medicina, Se os astronautas vão a Marte, Ou se a Arte sincera ensina. Me atenho ao rito da salvação, Glória a ti, Diva da Devoção ! Das agitações desgastantes, Do furor ao nosso redor, Das pausas gritantes, Do adocicado licor. Do evangelho que lhe escrevi, Do inesgotável, daqui e dali, Das letras to...

Dóra

Dóra Desafiadora sem se pronunciar, As qualidades lhe obedecem, São pertences a lhe enfeitar. Remova a maquiagem, E os acessórios enfeitados. Seus dentes perolados Ofuscam a retina, Globos oculares Castanho-esverdeados, Fios alaranjados Semelhados a tangerina, Perfumadas e vibrantes Bochechas de resina. Graduada em hipnose, Sentidos de rapina, Em sua apoteose Furtou-me a idolatria. Desafio Dóra ! Desafiadora a me desafiar. Tua dor de outrora, Minha dor de agora, a descontinuar. Metáforas da Aurora Que hão de demorar. Mitologia nossa, há de nos coroar. O que delonga faz confiar, O que demora faz confiar. Desafio Dóra ! Desafiadora a se entregar. Tua dor de outrora, Minha dor de agora, a descontinuar. Metáforas da Aurora Que hão de demorar. Mitologia nossa, há de nos coroar. Dóra... (Compositor: Michel F.M.) ©

Beijos Cênicos

Beijos Cênicos Sinceramente fingidos, Em nossa ilustração, Individualistas acomodados, Originam mútua identificação. Nossos beijos cênicos, Falsos e adequados, Pacíficos e bélicos, Beijos roubados, Formam boas lamentações. A desconfiança, É o melhor fruto Que por nós colhi. Ácido e amargo, Decretou o luto, Suturando o corte De seu bisturi. Nossos beijos cênicos E inadequados, Fixos e ecléticos, Beijos Roubados, Formam boas lamentações. Lamentavelmente Isso ainda abate, A ausência de Recordações. Prefiro recordar O inadequado, Do que revelar Não ter recordado. Nossos beijos cênicos E dissimulados, Imorais e éticos, Beijos Roubados, Multiplicam nossas divisões. Foram beijos cênicos, Mas de qualquer jeito, Mesmo que roubados, Ainda foram beijos. (Compositor: Michel F.M.) ©

Mica

Mica Atributos múltiplos, Miscelânea rica, Casta substância Da conduta eclética. Uma musa mística, Evocaste Mica ! Micaelle, O infinito não nos deterá ! Micaelle, O indefinido nos definirá ! Em definitivo, Só a variável restará. Mica, miscelânea rica. Mirra modelada Pelo privilégio, Privilegiada Unida ao florilégio. Fina flor sortida, Assim amplificada, Amabilidades, Regidas e regadas. Micaelle, O infinito não nos deterá ! Micaelle, O indefinido nos definirá ! Em definitivo, Só a variável restará. Mica, O infinito não nos deterá ! (Compositor: Michel F.M.) © 2011

15 pras 8 em Hiroshima

15 pras 8 em Hiroshima Numa segunda-feira fresca de agosto, Novidades repetidas soavam no rádio. Asami despertou, com o assovio Angelical dos rouxinóis. Lavou seu rosto na bacia, Escovou os dentes, Arrumou seus lençóis, Calçou os sapatos de feltro, Após colocar as meias de algodão, Seus tornozelos doloridos, Um repuxão, devido à queda do balanço. Mas surgia um novo dia, Ela enrolou seu lenço no pescoço, Mostraria àquele parquinho, Quem era a menina das acrobacias, Desceu as escadarias, ligeira; Na mesa comida típica, Um desjejum de algumas delícias. Mamãe abotoou a gola de linho, Penteou seus cabelos, fez carícias, Regou as plantas com carinho. Colheu um ramo de cerejeira, Organizou a estante, os bibelôs E as porcelanas na penteadeira; Encostou as tramelas dos vitrôs. A esta altura estava atrasada, Asami ficou sem carona, O ônibus passou na estrada, Teria ela uma maratona. Uma milha a pé caminhou, Pelo bosque sacro andou, Uma árvore de Ipê avistou, Cruzando a praça e a venda. Comeu alg...

O Imperador Pirou (A vulnerabilidade do invulnerável)

O Imperador Pirou (A vulnerabilidade do invulnerável) Em um Império Remoto, Longe de qualquer progresso, Imperava um Imperador, Temido por seus excessos. Seus domínios extensos, Das pastagens à cordilheira, Não serviram de aperitivo, Ao cruzar com a borralheira. O ilustre se cativou Com aquele avental, Sua política interna Virou extrema liberal, Ao contemplar a lavadeira Numa tarefa eventual. Uau. O Imperador Pirou, Se fez de camponês, Um barril de rum bebeu, Rasgou seu manto em três, Se proclamou plebeu, Abandonou o clube inglês, Não pensou no que perdeu, Só pensou no que não fez. Jamais se arrependeu, E no final era uma vez... Deu as costas à realeza E o galanteio virou papo, Seria ele e sua duquesa A Imperatriz do Farrapo. Nos registros do reinado Anotava-se um prefácio, A paixão de um sangue azul Pela empregada do palácio. O Imperador Pirou, Se fez de camponês, Um barril de rum bebeu, Rasgou seu manto em três, Se proclamou plebeu, Deixou de ser burguês, Não pensou no que perdeu...

Tosca Beleza

Tosca Beleza Algumas situações são inexplicáveis, outras situações simplesmente não precisam de explicação, ela não precisava, eu precisava dela. Aquele lugar inteiro estava em uma imundice só, uma baderna infernal; lixo, sujeira, pilhas de tranqueiras trancando a passagem, um piso encardido, ambientes encardidos, móveis encardidos. Ela acordou depois das 10h, deveria ter saído às 9h30; uma cara amassada pelo sono profundo da madrugada, um rosto belíssimo. Dizer que vê-la naquele estado matinal era encantador seria pouco, vestindo um pijama completamente esgarceado, desbotado e terrivelmente sensual, ela era toda errada e comum. Na maioria absoluta das vezes dispensava qualquer formalidade e etiqueta, era anti-etiquetas, fossem sociais ou em vestimentas informais, era informada, era formada e briguenta. Seu relaxo era charme, a negligência consigo mesma, forjava sua singularidade. Empurrou o portão, saiu. Na rua, na realidade mundana, era o centro, o centro de convergência, centralizav...

Silenciadores

Silenciadores Os armários chaveados, Meu orgulho arranhado, As carteiras arrumadas, Meu estômago revirado. Testemunhas silenciadas, Depondo silenciosas. Em meu silenciador, Após silêncio a dor. Silenciador, Silencie a dor. Desmontamos os pedestais, Anulamos a exposição, Rochas nocauteadas por cristais, Desparcerados pela discrição. Ela foi vítima, Eu fui vil, Ela é discreta, Eu sou sutil. Sentimentos silenciados, Depoimentos sussurrados, Enlaçados capturamos a libertação. Silenciadores, Silenciem as dores. (Compositor: Michel F.M.) © 2010

O mito que o mundo não conheceu

O mito que o mundo não conheceu No fundo ainda sou aquele garoto, Que sonhava em ser herói, Salvar a ninfa, abater o nefasto, Um garoto com um hobbie que não dói. Entretanto a ninfa não me quis, Mas ainda nos trombamos Nossos olhos se fitam, ela diz: Como vão os seus planos ? Respondo: vão bem e vós, Completa: eu também A isso se resume o veloz Contato apaixonante que a gente tem. Sou o sapo que não foi beijado, Um sapo desencantado. Já o nefasto, subestimei-o Se promoveu e saiu Quando foi transferido Do departamento, gargalhou e riu. Se encerrou aí o grande confronto. O heroísmo me levou a um cortiço, Afastado, mal localizado, onde me entoco, Pago aluguel do buraco, Prestes a ser interditado, Saio ou serei despejado, Recebo um salário mirrado, Similar a infiltração na parede de onde esquivo. Deleito-me nos passeios de coletivo. O contrário de deslumbrante, Até que seria um título instigante, "O mito que o mundo não conheceu", Ele não viveu feliz para sempre, mas viveu. (Comp...

Há de vir o que advém

Há de vir o que advém Se tu quiseres hei de querer também, Submeter-me-ei a seus termos passionais. Farei tudo o que lhe convém, Como vem comover, como vais... Ser a vela em meus castiçais, Será vela quando navegais, Dentre as algas dos corais. Se tu quiseres serei hélice quando voares, Serei asas enquanto planares, Sereia minha, água em meu aquário, Sobre os planaltos elevados, receptor e emissário. Serei Lince rasgando a neve, No extremo do hemisfério. Serás Alícia e serei seu coelho, Guiando-a no chamariz das maravilhas. Leve a sério, minha querida, Imperatriz entre as orquídeas, Duas passagens pras Antilhas, Só de ida. Nossa ida. Se tu quiseres sacrificarei meus compromissos, Quando me chamarem serei omisso, Somente a você responderei. Corresponderei a qualquer gesto. Ao piscar os cílios tu me resgata. Farei campana, armarei protesto, Escalando seu quarto, encenando a serenata. Ansiarei na enseada avistar-te, Dia, noite e madrugada, até despontar-te. Voando baixo, flutuando alt...