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Mostrando postagens com o rótulo (Des) rimando

Coração de Mesa Riscado a Grafite

Coração de Mesa Riscado a Grafite Inanimada, mimada, maltratada. Estudantes a usufruem, Tratantes a confundem. Altar dos casórios, Palco dos escritores, Símbolo supremo dos escritórios. Vendida, comprada, Doada, lixada, pintada, Montada, desmontada, desdenhada, Compensada, carunchada. Suporte supostamente sociável, Atura copos, pratos, panelas, jarras de suco, Cartas de baralho e murros de truco ! Agüenta as facas e suas pontas, Agüenta contas, pregos e cola, Livros, álcool, mimeógrafo, carbono e sola. Suporta-nos ! Eu, a letra "e", Ela. Distanciados pela injuntável falta de apetite, Fusionados num coração de mesa riscado a grafite. (Michel F.M.)

A Invasão Começou

A Invasão Começou Era uma vez um dia ensolarado, Ninguém percebeu o que tinha de errado, Quando acordei já era de manhã, E nada mais era o mesmo. Bateram na minha porta, Eram os poliglotas, Contando-me uma história, Sobre o dia da invasão. A invasão começou, A invasão começou. Há muito tempo atrás isso já acontece, E só agora fazemos as preces, As coisas mudam a cada dia, Nós vivemos nessa agonia. Pensamos que o mal está lá fora, Mas muitas coisas são apenas história, Nós somos capazes de compreender, Pois nem tudo o que vemos é só TV. A invasão começou, A invasão começou. Os vilões hoje em dia, são a nossa rotina, E nós os heróis dessa correria, A felicidade entre quatro paredes, Para algumas pessoas é um inconveniente. O mal nos dominou e agora, Não somos mais os mesmos de outrora, A invasão começou, A invasão começou. E aquela escuridão que não ia acabar, Era apenas um eclipse solar. (Michel F.M.)

VIDA Reduzida

VIDA Reduzida Pães de mel com suco de morango. Até 8 outonos leite com chocolate, Dos 12 em diante café com leite. Colchão estendido ao chão, Relaxamento na matine. Caixa de areia meio vazia meio cheia. Anjos de porcelana ocultos na penteadeira, Posicionados cuidadosamente Para não serem vistos, como deve ser. Ignorada na garagem uma pilha de notícias Importantíssimas, (in) formando as traças, Sendo afinal consumidas. Edições desatualizadas, fora de circulação, Acontecimentos; saúde, esportes, educação, Mobiliários, obituários, inaugurações, Baladas, high society, economia, dinheiro. Vidas reduzidas a centímetro por coluna, Servirão, para forrar o lixo do banheiro. Uma garrafa de água, seca, alguém tem sede, Mas o plástico do recipiente será reciclado, Se ninguém jogá-lo no bueiro mais próximo, Causando a próxima e (in) evitável inundação. (Michel F.M.)

Sobreviventes de Um Naufrágio Social

Sobreviventes de Um Naufrágio Social A questão não é a extinção de nossa empatia, Ou a dissolução total da consideração, Que um dia tivemos por nós mesmos; E sim, o despropósito. Não há... Propósito. Não ao... Propósito. Todos os seres humanos merecem crédito, Na maioria das vezes nós damos crédito Àqueles que já têm. Somos gotas. Uma gota não faz nada. Algumas gotas decidem se unir. As pequenas gotas, crescem. Juntas, até desaguarem no oceano. As gotas se tornam um bioma, O maior bioma do planeta. Vida melhor para milhões. Seres / vivos. O realismo é pessimista E o otimismo ficcional ? Cuidado ! Para não confundir realistas e pessimistas, Pessimistas e passivos, oportunistas e prestativos, Puxa-saquistas corporativos e corporativistas. Corpos perdidos, Entorpecidos, em termos técnicos. Drogados, em termos populares. Nos arredores alguém critica a transformação. Esse alguém vende "mesmice", Mais parcelada que a concorrência;...

Viciado Irrecuperável

Viciado Irrecuperável Quando você escreve Pela primeira vez, Nada acontece; Quando você escreve Pela segunda vez, Certamente escreverá Pela terceira E quando o faz, Já se tornou um Viciado Irrecuperável. (Michel F.M.)

Hierarquia das Pisadas

Hierarquia das Pisadas Tem aqueles que pisam nos outros, Tem os que são pisados por outros, Tem aqueles que apontam quem pisa, Tem os que não pensam e pisam. Aqueles que pensam em pisar, Tem os que pisando pisoteiam. Entre uma pisada e outra, Tu leva um pisão. E os pisoteados que não pretendem pisar Mas já pisados de imediato pisam. E o que mais pisou não mais pisa, Não precisa, já que todos têm ao menos Uma chance de pisotear e pisoteiam. Por fim acerca dos que pisam, pisaram e pisarão Sendo que (nem) todos têm o que lhe convém, Entre uma pisada e outra, Tu leva um pisão. (Michel F.M.)

Historieta do Nauseabundo Asqueroso

Historieta do Nauseabundo Asqueroso Venho de um lugar grotesco, Onde acreditam que a única forma De viver feliz para sempre É ser infeliz enquanto viver. E que só seremos mais, Se formos o menos possível. Mas esta é uma teoria Para pessoas inteligentes E compreensivas, Eu sou intolerante e obtuso. Resumindo a Historieta Do Nauseabundo Asqueroso (torpe infame repelente, Abjeto sórdido e ignóbil). (Michel F.M.)

Verso Corrido: do Que Têm Não Falta Nada

Verso Corrido: Do Que Têm Não Falta Nada Na rampa ela me acurrala, Chamando pra brincadeira, Desvia, faz volta e meia, Corro dela, ela é corredeira. Na arena baila quadrilha, Escorrega rega a soleira, Foi quem inventou a cartilha, Dengo ela, ela se zangueia. Aprecio com dever cumprido, A mensagem imortalizada, Quando solto esse verso corrido, Do que têm não falta nada. A primeira puxa a fileira, Calada me arma cilada, Saltitante esquenta a chaleira, Do que têm não falta nada. Debate de pura bobeira, De meiguice a rabugice, Corro dela, ela é corredeira, Dengo ela, ela se zangueia. Aprecio com dever cumprido, A mensagem imortalizada, Quando solto esse verso corrido, Do que têm não falta nada. (Autor: Michel F.M.)

Além das Estrelas

Além das Estrelas Estou aqui te esperando Olhando pra fora da janela, Nessa singela estrada discreta, Em uma casa na floresta. Avistei ao longe minha bela moleca, Cortando o caminho numa trilha secreta. Você nunca foi lá muito correta, Dispensando conselhos para coisas incertas. Talvez foi por isso Que a gente cruzou, Nesse mundo de Deus Nossos laços de amor. Nós aqui vivemos bem, como for, Estava lá, parado lá, o nosso amor. Sós assim seremos um, ou até melhor, Seja como for, como for. Estava explícito nas estrelas, Como o azul é certo no céu, Com certeza esse é nosso papel. Nós aqui vivemos bem, como for, Estava lá, parado lá, o nosso amor. Sós assim seremos um, ou até melhor, Seja como for, como for. Posso ver através da janela, O nosso futuro e o que nos espera, Não é só assim, é além daqui, Além das estrelas, um amor sem fim. (Autor: Michel F.M.)

A Casa de Limões

A Casa de Limões Numa tardinha Me atordoaram C'um causo. Encostado do Moinho da Sardinha, Perambulava um garoto, Que vivia numa casa Feita de limões. Ouvi um cochicho Sobre um jovem Javali Que se tornou padeiro. E outro buchicho Sobre um centenário Jabuti Que se formou doceiro. Mas este boato É de maior capricho, O aposento do guri No topo dum limoeiro. Construção ecológica. Amarrava a dentaria Sua hospedaria. Parecia até mágica Bruxismo ou feitiçaria. Agora eu entendia Quando minha mãe dizia, Que existiam pessoas amargas, Difíceis de manter relações. Também pudera serem azedas, Vivendo numa Casa de Limões. (Autor: Michel F.M.)

Esmalte Craquelado

Esmalte Craquelado Faiscava mais Que um colar de strass, Vinha embriagante Pruma mente sã. Vestindo um tubo Monocromado, Equilibrando Em teu scarpan. Teu esmalte craquelado É tão vivaz, Expondo claramente Aonde estás. Teu todo abrilhantado É tão particular, Expondo claramente Onde pretende estar. Vestindo um tubo Monocromado, Equilibrando Em teu scarpan, Vinha embriagante Pruma mente sã. Teu esmalte craquelado É tão vivaz, Expondo claramente Aonde estás. Teu todo abrilhantado É tão particular, Expondo claramente Onde pretende estar. (Compositor: Michel F.M.) ©

Impressão Intensa

Impressão Intensa Nesta intenção impressa, Uma impressão intensa. Ela nasceu Para alguém Melhor do que eu. Para alguém mais corajoso, Alguém mais inteligente, Para alguém mais carinhoso, Alguém mais competente. Mas ela não nasceu para alguém, Que ame-a mais, do que a amo. Pois neste quesito, Sou bendito e soberano. Ela nasceu Para alguém Melhor do que eu. Para alguém mais belo, Alguém mais consolidado, Para alguém mais singelo, Alguém mais dedicado. Mas ela não nasceu para alguém, Que ame-a mais, do que a amo. Pois neste quesito, Sou bendito e soberano. E cá deixo clara, Esta explícita sentença, Nesta intenção impressa, Uma Impressão Intensa. (Compositor: Michel F.M.) ©

Amores que Vivi

Amores que Vivi Vão singulares os amores... Quem pagou os direitos Autorais ao amor ? Por tê-lo usado banalmente, Sem créditos do autor. Desconheço a autoria conhecida, Em nosso favor; Clonagem, cópia, plágio ou imitação, Do que já publicaram Sem devida concessão, Descrevendo o exaustivamente descrito; Sem receio de ser bobo, Caio no que já foi dito, Despenco na repetição, repetição. Do que causa-nos contágio, Portador de bons-presságios, O mais caro dos pedágios, Dentre todos os valores. Frágeis, ágeis, inabaláveis, Vão singulares os amores... Amores que vivi, que se ausentaram. Amores que vivi, que me castigaram. Amores que vivi e se quer me notaram. Amores que vivi, que me contagiaram. Voam singulares os amores... Amores que vivi, que me desfiaram. Amores que vivi, que me restauraram. Amores que vivi, me impulsionaram. Amores que vivi, amores que me amaram. Voam singulares os amores e se vão... (C...

As Ameixas - Capítulo XII - Andressa

As Ameixas Capítulo XII Andressa   Brincalhona em brincadeiras Descoladas mesmo. Brinca sem se preocupar Com a modalidade Ou técnica utilizada. De nenhuma maneira histérica, Não detém a histeria Como característica. Sobre tudo agradável, Carinhosa, cuidadosa, precavida. Não alimenta afinidade com cálculos, Proporções ou raciocínio-lógico. Alimenta uma facilidade indiscutível Para convivência, Motiva com um efêmero toque Que a tudo envolve. Duvido que os prodígios Da ciência matemática, Resolveriam seus problemas, Melhor do que ela os resolve. Pois ela resolve ! (Autor: Michel F.M.)  ©

As Ameixas - Capítulo XI - Giovana

As Ameixas Capítulo XI Giovana Criativa, compositora, Elabora suas próprias canções. Dialetos variados Lhe servem de referência, Não compreendo Mas sou compreendido. Caricatura de cerâmica Sapatinhos ortopédicos Perninhas delgadas Vestimentas minúsculas. Sua capacidade se destaca, Sua meiguice se aflora, Melodicamente equipada, Pode equiparar-se Às melhores entre as maiores. Aprendeu francês vendo filmes, Não compreende com clareza, Mas sem intercâmbios, Sua pronúncia é francesa.   (Autor: Michel F.M.)  ©

As Ameixas - Capítulo IX - Sara

As Ameixas Capítulo IX Sara Rangeu o taco, Trepidou o piso. Fingi não ter ouvido, Mas ela era e estava. Atrás, nas minhas costas, Quietinha. Respiração semi-ofegante, Ela se continha. Aguardei-a, Ela tinha seu próprio andamento. É maravilhoso repassar, A sensação de ter fingido. Guardei-a comigo. Naquele abreviado baque, Assustou-me. Deixei-me assustar E ao surgir tinha ido. (Autor: Michel F.M.)  ©

Dia do Anonimato *

Dia do Anonimato * Dobrou a esquina decidido A percorrer um trajeto inabitual, Descendo a rua irregular Notou pedestres e a muvuca central. Gradeados, o asfalto, telhados, Uma mureta com degrau, Lojas, butiques, bazares, Um açougue liquidando bacalhau. Automóveis, lixeiras, lixo no chão E alguma forma vegetal, Flores num canteiro, um bueiro, Caixotes, tubulações em geral. No estacionamento vazio Se encontrava escondido um casal. Paralelo ao centro financeiro, Muitas cifras, cortesia impessoal, Ternos de luxo, limusines, distinção, Suavidade fria e cordial, Um ligeira coxo que revirava Uma tralha imunda próximo ao local. Passava um cliente importante Pelo detector de metais digital. Trinta e dois minutos atrás, Uma madame foi assaltada; um marginal, Foi demitido de um emprego normal, Por não ter concluído 2° grau. Uns metros dali estouraram o cartel De uma quadrilha internacional, Esquema armado, escutas, grampos, Traçado por uma equipe federal. Ergueu a mão prum ex-companheiro Da época...

Fique Margô

Fique Margô Margô fica angustiada, Por não realizar suas proezas. Margô fica assustada, Só de pensar nos desacertos. Margô fica frustrada, Com o acúmulo das despesas. Com a quebra financeira, Fruto de concertos na cozinha E as prestações da geladeira. Margô fica chateada, Pensa estar congelada, Numa monotonia de desventuras. Anteontem saiu Sem rumo à surdina. Em sua quentura Rancou as cortinas, Desorientada e desiludida, Nem o abajur apagô. De todos os pedidos Que desejo lhe pedir, Peço apenas um: Fique Margô ! De todos os pedidos Que desejo lhe pedir, Apenas um peço: Fique Margô ! Por favor. (Compositor: Michel F.M.)

La Chica Radiante

La Chica Radiante Yo no hablo español Pero su sorriso Logo compreendi Estava tão iluminado Estaba muy soleado Que yo no resisti La Chica era muy Radiante Percorreu num instante Todo mi corazón Estaba tan palpitante Que la mía linguagem Se transpôs en canción Más que bela misión Más que una distracción Preservar su equilibrio En mi mejor visión Deparei-me com la pared Pero com su chamego Vivo solamente por usted Y no hay más hasta luego La Chica era muy Radiante Percorreu num instante Todo mi corazón Estaba tan palpitante Que la mía linguagem Se transpôs en canción Yo no hablo español Pero su sorriso Logo compreendi (Compositor: Michel F.M.) ©

Donde Vim

Donde Vim Donde vim... As Românias ruborizam, Margaridas maravilham, As Cidreiras sinalizam ali, Aos observadores Amadores e profissionais, O gramado toma Proporções excepcionais. A diferença é essencial, A igualdade inerente, À variedade natural. Ali, um pouco após a ponte, Vi germinar um monte, De Girassóis no Monte. Ali, para onde o peito aponte, Deixarei jorrar a fonte, Da vitalidade donde vim. Sim, perfumes vencem armamentos, Jasmim versus sofrimento, Balas batidas por Botões. Munições são a forma de despeito, De quem teme o sentimento Mais que os esquadrões. O poder de um ser sozinho, Sob a posse do carinho, Derrotando batalhões. Ali, um pouco após a ponte, Vi germinar um monte, De Girassóis no Monte. Ali, para onde o peito aponte, Deixarei jorrar a fonte, Da vitalidade donde vim. Donde vim é pronde vou, Rindo e ruborizando, Retornando ao que o tornou. (Compositor: Michel F.M.) ©