Cinza de Fuligem Certa vez conheci uma senhora, Que morava no interior, A chamavam de “Branca de Neve”, Não tinha nada de muito valor. Uma casinha no campo, Um jardim florido, Canto calmo longe do perigo. Numa tarde seca e quente, Lhe pedi um copo d’água Em frente à seu casebre, Espontaneamente me contou Sobre suas jornadas, Sem tartarugas ou lebres. Apenas um conto sem fadas. As ilustrações não eram leves E as indagações tão pouco breves. Seu apelido era uma piada, sua cor era parda, Mas “Branca de Neve” já estava acostumada, Pois desde jovenzinha tinha sido discriminada. Ao nascer prematura foi abandonada, Criada na favela da “Maça Envenenada”. Filha de uma mãe e vários pais, Que tinham outros filhos em diversos cais, A história se fazia, corrida diária, Aquela sobrevida na zona portuária. “Branca de Neve”, “Cinza de Fuligem”, Na “Floresta de Concreto” resistiu à sua origem. Foi adotada por uma bruxa, Acorrentada no porão pela madrasta, Era espancada, levou muita “bucha”, Se viu acur...
Bruno Michel Ferraz Margoni Poeta, Escritor, Cantor, Compositor, Filósofo, Historiador, Educador, Comunicólogo, Publicitário, Profissional de Educação Física, Slackliner...