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Mostrando postagens com o rótulo Piekarzewicz

A Invasão Começou

A Invasão Começou Era uma vez um dia ensolarado, Ninguém percebeu o que tinha de errado, Quando acordei já era de manhã, E nada mais era o mesmo. Bateram na minha porta, Eram os poliglotas, Contando-me uma história, Sobre o dia da invasão. A invasão começou, A invasão começou. Há muito tempo atrás isso já acontece, E só agora fazemos as preces, As coisas mudam a cada dia, Nós vivemos nessa agonia. Pensamos que o mal está lá fora, Mas muitas coisas são apenas história, Nós somos capazes de compreender, Pois nem tudo o que vemos é só TV. A invasão começou, A invasão começou. Os vilões hoje em dia, são a nossa rotina, E nós os heróis dessa correria, A felicidade entre quatro paredes, Para algumas pessoas é um inconveniente. O mal nos dominou e agora, Não somos mais os mesmos de outrora, A invasão começou, A invasão começou. E aquela escuridão que não ia acabar, Era apenas um eclipse solar. (Michel F.M.)

VIDA Reduzida

VIDA Reduzida Pães de mel com suco de morango. Até 8 outonos leite com chocolate, Dos 12 em diante café com leite. Colchão estendido ao chão, Relaxamento na matine. Caixa de areia meio vazia meio cheia. Anjos de porcelana ocultos na penteadeira, Posicionados cuidadosamente Para não serem vistos, como deve ser. Ignorada na garagem uma pilha de notícias Importantíssimas, (in) formando as traças, Sendo afinal consumidas. Edições desatualizadas, fora de circulação, Acontecimentos; saúde, esportes, educação, Mobiliários, obituários, inaugurações, Baladas, high society, economia, dinheiro. Vidas reduzidas a centímetro por coluna, Servirão, para forrar o lixo do banheiro. Uma garrafa de água, seca, alguém tem sede, Mas o plástico do recipiente será reciclado, Se ninguém jogá-lo no bueiro mais próximo, Causando a próxima e (in) evitável inundação. (Michel F.M.)

Sobreviventes de Um Naufrágio Social

Sobreviventes de Um Naufrágio Social A questão não é a extinção de nossa empatia, Ou a dissolução total da consideração, Que um dia tivemos por nós mesmos; E sim, o despropósito. Não há... Propósito. Não ao... Propósito. Todos os seres humanos merecem crédito, Na maioria das vezes nós damos crédito Àqueles que já têm. Somos gotas. Uma gota não faz nada. Algumas gotas decidem se unir. As pequenas gotas, crescem. Juntas, até desaguarem no oceano. As gotas se tornam um bioma, O maior bioma do planeta. Vida melhor para milhões. Seres / vivos. O realismo é pessimista E o otimismo ficcional ? Cuidado ! Para não confundir realistas e pessimistas, Pessimistas e passivos, oportunistas e prestativos, Puxa-saquistas corporativos e corporativistas. Corpos perdidos, Entorpecidos, em termos técnicos. Drogados, em termos populares. Nos arredores alguém critica a transformação. Esse alguém vende "mesmice", Mais parcelada que a concorrência;...

Viciado Irrecuperável

Viciado Irrecuperável Quando você escreve Pela primeira vez, Nada acontece; Quando você escreve Pela segunda vez, Certamente escreverá Pela terceira E quando o faz, Já se tornou um Viciado Irrecuperável. (Michel F.M.)

Hierarquia das Pisadas

Hierarquia das Pisadas Tem aqueles que pisam nos outros, Tem os que são pisados por outros, Tem aqueles que apontam quem pisa, Tem os que não pensam e pisam. Aqueles que pensam em pisar, Tem os que pisando pisoteiam. Entre uma pisada e outra, Tu leva um pisão. E os pisoteados que não pretendem pisar Mas já pisados de imediato pisam. E o que mais pisou não mais pisa, Não precisa, já que todos têm ao menos Uma chance de pisotear e pisoteiam. Por fim acerca dos que pisam, pisaram e pisarão Sendo que (nem) todos têm o que lhe convém, Entre uma pisada e outra, Tu leva um pisão. (Michel F.M.)

Grandes Astros

Grandes Astros Qual é a diferença Entre um astro e um fã ? Quem criou essa crença ? Ditadura pagã. Com roupinhas bonitas E alguns acessórios, Com canções mal escritas De amores ilusórios. Quem se importa com eles ? Os papéis vão rasgar, E nossas pobres vidas Irão continuar. Grandes Astros dos Pôsteres, Das paredes dos quartos, Profissões tão medíocres Quanto espalhar boatos. Sinto o vazio que nos sugou, A rotina a mil, ninguém se importou, Se foram os valores E quem os preservou, Não sobraram nem flores, A estima expirou. Grandes Astros dos Pôsteres, Das paredes dos quartos, Uma vida fugida e alguns mimos baratos. Não sou um astro, não sou ninguém, Sou só mais um fiasco, Entre os que não têm. Mas quero amar também. E ser visto aqui, como quem foi alguém, Não queria ser astro, não queria ser rei, Só queria dizer que vivi par...

Franzina Modéstia No País da Soberba

Franzina Modéstia No País da Soberba O que será dela Sem apadrinhamento ? O que será dela Sem financiamento ? Injeção na testa É o que exacerba. O que será desta Plebeia sem verba ? Franzina Modéstia No País da Soberba. Franzina Modéstia No País da Soberba. O que será dela Sem julgamento ? O que será dela Sem rendimento ? Uma coisa é certa Em seu detrimento, Pra Franzina Modéstia Não há salvamento. Franzina Modéstia No País da Soberba. Franzina Modéstia No País da Soberba. (Michel F.M.)

Historieta do Nauseabundo Asqueroso

Historieta do Nauseabundo Asqueroso Venho de um lugar grotesco, Onde acreditam que a única forma De viver feliz para sempre É ser infeliz enquanto viver. E que só seremos mais, Se formos o menos possível. Mas esta é uma teoria Para pessoas inteligentes E compreensivas, Eu sou intolerante e obtuso. Resumindo a Historieta Do Nauseabundo Asqueroso (torpe infame repelente, Abjeto sórdido e ignóbil). (Michel F.M.)

Manifesto do Sentir

Manifesto do Sentir Senti que sem ti O sentir se dissipa Senti que com ti O saltar para quedas Senti que sem ti O pairar é sem pipas Senti que com ti Curvas são paralelas Senti que sem ti Atear é sem fogo Senti que sem ti O tear é sem roca Senti que sem ti O efêmero é longo Senti que sem ti A perdiz tá sem toca Senti que com ti O cerol é refresco Senti que com ti Colisão é afresco Sem ti eu Senti Que o sem é pretexto Sem ti eu senti Que o com é honesto E vem manifesto Em nosso contexto. (Michel F.M.)

Longa Róliudiâno

Longa Róliudiâno Produção barata, Intérpretes de terceira, Tapumes pré-moldados, Um script de asneiras, O possante, os malvados, Pancadaria e bebedeira, Rachas, berros, tiroteio, A cachoeira, a ribanceira, Jaquetas pretas, o rodeio, Marshmelows e a lareira. John, Jane and Joanne, Loucamente alucinados, Trucidando o quotidiano, Exaltados, desvairados, Num Longa Róliudiâno. Trampando em lanchonete, Tramando contra o tédio, Trafegando na internet, Traficando seu assédio. Nível tático e diabólico, Arremessando os currículos, Adversários do bucólico, Avaliados num cubículo. Degustando a programação, Cuspida de seu televisor, Vomitando a superstição, Que veio impor um estupor. Taquei noutro canal, Cansei daquela vista, Tive a impressão De que me vi protagonista. John, Jane and Joanne, Loucamente alucinados, Trucidando o quotidiano, Exaltados, desvairados, Num Longa Róliudiâno. (Michel F.M.)

Ensaio Sobre a Origem do Karma

Ensaio Sobre a Origem do Karma O sentimento Me foi insuportável, Então pela primeira vez Escrevi espontaneamente, Sem que me mandassem fazê-lo. Não era questão de gosto, Tinha a ver com aversão, Eu precisava expulsar De meu interior O que me esfolava. (Michel F.M.)

A Humanidade Não Dá Trégua

A Humanidade Não Dá Trégua Viver em sociedade é viver assim: Se você tem dinheiro, você é um homem livre, Se você tá quebrado, que Deus te livre. Se você tem amigos, você está no céu, Se te sobra inimigos se amargou com o fel. Construa uma prisão para se proteger, Dos que aí fora estão para vencer você, Se vive sempre na luta, se tem boa conduta, Não viu ainda o que esse mundo lhe oculta. A humanidade não dá trégua (não dá trégua). Se você espera que eles te ouçam, As paredes têm ouvidos, as muralhas não. Se você espera consideração, Vão passar por cima, te atropelarão. Se não tá feliz com o que tem, Para dois terços do mundo nem isso vem. Tem guerra por terra, guerra por tesouros, Tem guerra fria, guerra por louros, Tem guerra mista e guerra dividida, Só não tem guerra pela vida. A humanidade não dá trégua (não dá trégua). Vida difícil, extremamente sofrida, Só depende de você aceitar a ferida. O ser humano complica a situação, Transformando tudo em ...

100 anos de Paz

100 anos de Paz Conflitos no Oriente, Combates no Ocidente, Confrontos sem motivo, Um processo recessivo. Sem limites para acreditar, Sem limites para estar, Esperei um bom motivo para sonhar. 100 anos de Paz, Foi com o que sonhei. Tantas perdas de inocentes, Só mais um, não é nada. A ganância domina as mentes, A soma do lucro é aproximada. Um pingo de esperança, Em plena tormenta, Perseguindo a mudança, A crença nos alimenta. 100 anos de Paz, Foi com o que sonhei. Apenas um sonho Puramente irreal. Espero que seja Um sonho igual. Quantos anos mais, Nós devemos esperar ? Esperei um bom motivo para sonhar, 100 anos de Paz, Foi com o que sonhei. (Michel F.M.)

Verso Corrido: do Que Têm Não Falta Nada

Verso Corrido: Do Que Têm Não Falta Nada Na rampa ela me acurrala, Chamando pra brincadeira, Desvia, faz volta e meia, Corro dela, ela é corredeira. Na arena baila quadrilha, Escorrega rega a soleira, Foi quem inventou a cartilha, Dengo ela, ela se zangueia. Aprecio com dever cumprido, A mensagem imortalizada, Quando solto esse verso corrido, Do que têm não falta nada. A primeira puxa a fileira, Calada me arma cilada, Saltitante esquenta a chaleira, Do que têm não falta nada. Debate de pura bobeira, De meiguice a rabugice, Corro dela, ela é corredeira, Dengo ela, ela se zangueia. Aprecio com dever cumprido, A mensagem imortalizada, Quando solto esse verso corrido, Do que têm não falta nada. (Autor: Michel F.M.)

Num Ato Desesperado Por Uma Paixão Correspondida

Num Ato Desesperado Por Uma Paixão Correspondida Instruções ao nascer deveriam conter, Explicadas em rótulo ou bula, Cada miudeza seria legendada, Evitando selecionar coisa chula. Pula o que não presta, Reprisa o que é festa. Falando em festejar, Me ocorreu um ocorrido, Retratar um episódio, Enamorado resumido. Num ato desesperado Por uma paixão correspondida, Não conjurei o esperado, Reagi de maneira destemida. Até em tão fácil foi pretender, Maquinar, esboçar, planear, Logo teria eu que corresponder. Sabia não que podia amar, Amor achava que era inventado, Por inventeiros vertiginosos, De lugarejos acantonados. Enganado me situava, Predestinado estava a amar. Num ato desesperado Por uma paixão correspondida, Reagindo de maneira destemida, Correspondi. (Autor: Michel F.M.)

Cerimônia Ou Um Motivo Pra Vê-la

Cerimônia Ou Um Motivo Pra Vê-la O linóleo ao chão Continha pés trêmulos, Me doía o baço De tanta felicidade. Oprimia-me os órgãos, Saber da possibilidade Do angustiante afastamento, Da saudade que dá saudade. Sensações enfileiradas Em desordem alfabética. Bocas falavam, Lábios sorriam, Dedos suavam, Olvidos tiniam, Palmas saldavam, Olhos escorriam. 300 pessoas presentes, 287 lugares ocupados, 13 reservados a ninguém, Alguém não tinha chegado. Alguém estava chegando. Só havia notado, por ser A única pessoa que estava esperando. Alguém é anunciado. Talvez, quem sabe, Seja Ela. (Composição: Michel F.M.)

Além das Estrelas

Além das Estrelas Estou aqui te esperando Olhando pra fora da janela, Nessa singela estrada discreta, Em uma casa na floresta. Avistei ao longe minha bela moleca, Cortando o caminho numa trilha secreta. Você nunca foi lá muito correta, Dispensando conselhos para coisas incertas. Talvez foi por isso Que a gente cruzou, Nesse mundo de Deus Nossos laços de amor. Nós aqui vivemos bem, como for, Estava lá, parado lá, o nosso amor. Sós assim seremos um, ou até melhor, Seja como for, como for. Estava explícito nas estrelas, Como o azul é certo no céu, Com certeza esse é nosso papel. Nós aqui vivemos bem, como for, Estava lá, parado lá, o nosso amor. Sós assim seremos um, ou até melhor, Seja como for, como for. Posso ver através da janela, O nosso futuro e o que nos espera, Não é só assim, é além daqui, Além das estrelas, um amor sem fim. (Autor: Michel F.M.)

Reciclando Retalhos Em Meu Eu Descartável

Reciclando Retalhos Em Meu Eu Descartável Nosso inconcreto se concretizou, Não se encaixando em qualquer definição, Avançamos a etapa da distração, Tapando os furos e as gafes, Transpondo muros de pedra sabão. Reciclando Retalhos, Empilhando cascalhos, Fragmento sou, Em meu eu descartável. Resíduos da sua fragrância, Fragmentos da minha lembrança. Todavia não fracassamos, Deveras enfraquecidos estamos. Provavelmente nos recuperamos, Ou recuperaremos As bobeiras que escaparão, Diálogos longos, Bobos parágrafos sem significação. Reciclando Retalhos, Empilhando cascalhos, Fragmento sou, Em meu eu descartável. O sabonete que era seu desgastou, A avelã que me deu estragou, O estoque de aveia esgotou, O banquete pra dois esfriou. A aliança na gaveta E o álbum guardado. Ela está satisfeita, Me vou conformado, Reciclando retalhos Em meu eu descartável. (Compositor: Michel F.M.)

Gerônimo (Nos Estados Banidos da América a Narrativa de Um Nativo Americano)

Gerônimo (Nos Estados Banidos da América a Narrativa de Um Nativo Americano) Poderia ser um índio anônimo, Impetuoso em seu frenesi, Mas consagrou-se Como São Gerônimo, Salvador dos apaches, Protetor dos colibris. Cravejou bravamente tua adaga, Nos que violaram teu brio. Ele não foi um índio anônimo, Ele tinha um nome, Gerônimo ! Presentearam-no com usura, Na fúria que se sucedeu, Vinte anos de clausura, Por um crime que não cometeu. Colonizador ávido em louros, Gerônimo perdido em apuros. Ele não foi um Índio anônimo, Ele tinha um nome, Gerônimo ! Nas Planícies erigiriam condomínios, Ceifaram os espíritos de sua linhagem, No deserto levantaram um cassino, As Doutrinas escoaram pela margem. Porventura não tornou-se um engano, A narrativa de um nativo americano. Toda vastidão de uma peleja épica, Ocorrida nos Estados Banidos da América. Ele não foi um Índio anônimo, Ele tinha um nome, Gerônimo ! (Compositor: Michel F.M.

Espírito Celeste

Espírito Celeste Milhares de quilômetros Nos distanciaram, Os gestos mais inóspitos Revelaram suas faces, Marchei entre parâmetros, Que me dispersaram, A exatidão multiplicou As suas fases. Eu não consegui tocar a Lua, Teu corpo estava ali, teu espírito se fora. Eu não consegui tocar a Lua, A luz da minha noite deixou de iluminar. Acabei cansando E meus olhos serrilharam, Na última cartada Sai com quatro ases, Mas antes da jogada As luzes se apagaram, Só uma fagulha Alicerçou as minhas bases. Eu não consegui tocar a Lua, Roubou de mim a luz dizendo que era sua. Eu não consegui tocar a Lua, Roubou a minha luz dizendo que era sua. Desta noite em diante, Nunca mais a contemplei, Me tornei um cego, Pintando em uma tela, Buscava as cores certas E sem ver não duvidei, Decorei o quarto Que seria a minha cela. Foi longo o período Pelo qual me enclausurei, Nem mesmo os percalços Me fizeram desfocar, Alimentei as forças No percurso que tracei, Obj...