Pular para o conteúdo principal

Os criadores da criação

Os criadores da criação
.
.
Por: Michel F.M. / baseado no texto Criatividade e grupos criativos
.
.
Sem dúvida o século XIX e XX foram os séculos da criatividade, impulsionados pelas revoluções industriais e pelos incansáveis estudos científicos. E hoje nos deparamos com um questionamento, será que a criatividade é americana? Nas últimas décadas a impressão que se tem, é que os Estados Unidos vem sendo o país mais criativo do mundo, com todas as suas novas descobertas e invenções. Porém os maiores inventores norte americanos são europeus, devido à guerra mundial no período que compreende 1930 a 1960 muitos estudiosos e cientistas fugiram da guerra e dos problemas europeus e vieram para nos EUA, devido a essa evasão européia a criatividade realmente cresceu na América do norte. Mas o país que se considerava o mais criativo do mundo, encontrou concorrentes à altura, primeiro com a URSS que enviou o primeiro satélite ao espaço, depois com o Japão que mostrou sua força mercadológica e econômica com seus produtos incrivelmente baratos, e finalmente com o terror islâmico, ironicamente o país que levou a guerra e a destruição a todo o planeta, viu seu maior símbolo de poder (as torres gêmeas) sucumbir em seu quintal.
Partindo da criatividade mundial, passamos à criatividade empresarial; porque as empresas devem ser criativas? Atualmente as grandes empresas dispõem de máquinas que fazem o trabalho mais “chato” e constante e tais máquinas precisam de pessoas para controlá-las, sabemos também que independente do avanço da tecnologia uma máquina jamais será criativa como o ser humano pode ser, porque ela é programada para fazer coisas sempre exatas e a criatividade não é exata. Além do mais a evolução exige mais evolução, no entanto as empresas limitam a criatividade de seus funcionários, as mesmas acreditam que todos têm que pensar a partir de uma fórmula principal e comum e isso não funciona. São construídas barreiras psicológicas na mente dos funcionários exterminando qualquer suspiro de criatividade. E chegamos ao outro contraponto, porque as empresas não são criativas? A resposta é simples, as idéias inevitavelmente serão barradas pelos chefes, muitas vezes o funcionário tem uma restrita liberdade de criação, coloca seus planos no papel que fatalmente continuarão no papel. Os setores de controle de administração da empresa ao invés de enxergarem a nova idéia como uma oportunidade, classificam os projetos como perigos eminentes. O grande mercado predatório e míope quer funcionários eficientes e pouco inteligentes, repetitivos e pouco criativos.
A criatividade é um assunto muito discutido em nossa sociedade, existem muitos estudos sobre indivíduos em particular que fizeram grandes feitos e foram importantes no ponto de vista criativo. Mas quase não existem estudos sobre criatividade coletiva. A criatividade é algo muito particular, acontece de maneira diferente em cada individuo, porém algumas características são comuns a todos, como informação e conhecimento. Apesar de alguns criadores afirmarem que a imaginação foi mais importante do que os estudos no decorrer de suas vidas.
Alguns dizem que todos somos criativos, outros que a maioria tem criatividade ordinária, mas poucos tem criatividade extraordinária. Existem muitas teorias sobre como funciona o pensamento criativo, como disse “Wallas” aprofundando o pensamento de “Helmholtz” existem quatro fases a criatividade: preparação, incubação, iluminação e verificação. “Freud” também se aventurou nesse universo e depois “Arieti”, formulando a idéia de pensamento primário e secundário idéia que foi desenvolvida mais tarde e foram adicionadas a ela a esfera emotiva e racional. Pois bem, a conclusão que chegaram com esse complexo esquema, foi que a criatividade é uma mistura da fantasia com a realidade e uma não funciona sem a outra. Não basta a pessoa criar uma coisa maravilhosa, ela tem que mostrar isso aos outros e essa criação tem que ser útil e significar alguma coisa, então ela será reconhecida pelo seu trabalho.
Com relação à literatura e poesia a criatividade está associada ao conceito de belo que por sua vez se liga ao comovente, à melancolia, que desperta as lágrimas na alma sensível. Um ponto essencial no que diz respeito à poesia é a estrutura, que é muito importante e está diretamente ligada à própria criatividade. Alguns poetas e compositores preferem criar grandiosas poesias, extensas e minuciosamente trabalhadas, enquanto outros acham perda de tempo fazer um trabalho muito longo, que vá dispersar o leitor e preferem criar apenas de forma espontânea, sem planejamento, poesias curtas e sucintas. Atualmente devido aos avanços tecnológicos, a criatividade coletiva está em alta e não é menos genial do que a individual. As empresas estão se tornando globais e fica muito difícil manter poucos indivíduos criando isoladamente, a demanda é gigantesca e as criações precisam acompanhar o crescimento. Voltando novamente à questão artística, de um lado temos as grandes orquestras sinfônicas, que determinam rigorosamente o papel de cada um dentro do contexto erudito, maestros, músicos, compositores, interpretes; enquanto de outro vemos o Jazz considerada junto com o cinema a expressão máxima do século XX, com todas as suas improvisações, espontaneidade e o exemplo claro da criação em grupo, contrariando a música clássica onde só um cria e os outros reproduzem.
A criatividade nos parece algo solto, livre e imaginário, mas ela depende de técnicas referentes a cada coisa que você cria, relaciona-se à área em que você aplica a criatividade. Um criador pode julgar que tudo o que pensa e está inventando não depende de nenhum outro fator, porém o próprio fato de criar é baseado em regras, mesmo que inconscientes. O criar não depende só da imaginação e concretude, mas também da administração dos pensamentos e de técnicas introjetadas. A criatividade artística pode ser individual e coletiva, programada ou repentina. Já na cientifica prevalecem os processos coletivos e uma idéia está sempre ligada à outra. Muitas vezes é possível destacar grupos geniais, gênios coletivos compostos de sujeitos individuais que sozinhos não são brilhantes, mas em equipe são incríveis. Sabemos que o maior problema da criação coletiva é a intolerância, os indivíduos precisam se respeitar mutuamente, para conseguirem alcançar algum objetivo maior. E quando os integrantes passam a se sacrificar pelo todo, pelo grupo, as coisas passam a dar certo, mas para isso é preciso que todos estejam maduros o suficiente e saibam abrir mão de suas particularidades e de seus desejos pessoais, quando isso for necessário. Quando esse comprometimento não acontece, um único membro do grupo passa a impor suas idéias e o grupo tem sua criatividade reduzida até se esgotar. Por outro lado a interação, união, a espiral positiva leva o grupo muito próximo da perfeição, onde todos os integrantes se sentem bem por estarem juntos. Outro ponto importante de destaque é o líder-fundador, aquele que se sacrifica, se entrega e da à vida pelo projeto, é ao mesmo tempo autoritário e carismático, por assim dizer o pai, que estará ali todos os momentos, pronto para ouvir e ajudar sempre seus parceiros em busca do sucesso de sua idealização.
Existem algumas diferenças entre os indivíduos criativos e os grupos criativos, enquanto o individual expressa intensamente seus sentimentos e emoções, o coletivo tem mais receio de expressar pensamentos interiores. Mas em essência trazem frutos para toda a humanidade, seja individual ou coletiva a criação sempre trará benefícios para o mundo se for usada para o bem. Criem !!!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Michel F.M. - Bruno Michel Ferraz Margoni - Escritor, Compositor, Poeta e Sonhador

Velhos Heróis Velhos Ídolos

Velhos Heróis Velhos Ídolos Combatentes Solitários, Defensores dos desolados, Em gestos solidários, Acentuam os ditados. Detentores de recordes, Jamais reconhecidos, Não são premiados, Pelas suas façanhas, Refrão Velhos Heróis, Velhos Ídolos, Para nós eternos mitos. Ironicamente sabem, Não Farão bustos para eles, No entanto se comprazem, E nesta data lembramos deles. Refrão Velhos Heróis, Velhos Ídolos, Para nós eternos mitos. O grito se encorpa, Outra voz entoada, Alinhadas as hordas, Invocados para a valsa. São a alça pros descrentes, E nesta data lembramos deles. Refrão Velhos Heróis, Velhos Ídolos, Para nós eternos mitos. (Compositor: Michel F.M.)

Simplório mas Sincero

Habituado aos costumes rotineiros da prática usual Logo, liguei quatorze dos quinze computadores, um deles estava com problemas, sabe aquelas panes sem solução para um reles mortal recém virtualizado, ou nem tanto. Daí eu fiz o mesmo percurso que faço todos os dias, de uma sala à outra, para depois regressar com a criançada e começar as nossas atividades, mais enriquecedoras para mim do que para eles. Quando chego na porta, aquele Auê de sempre, a molecada grita, esperneia, ouço uns vinte e cinco chamados, “ Tio, tio, Ó o tiooooo... ” Olho para a professora para ver se ela já encerrou as tarefas, para que possamos prosseguir para a hora tão aguardada pela mini-platéia. – Podemos ir ? – pergunto – Ah, lembrei que preciso aplicar uma provinha pra eles hoje. – Ela responde. E em um instante o alvoroço e a espectativa se transformam em uma dupla frustração. Sem aula de informática e com uma prova para substituí-la, tudo com o que qualquer criança jamais simpatizou. Mas é assim, a escola te...