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Reciclando Retalhos Em Meu Eu Descartável

Reciclando Retalhos Em Meu Eu Descartável Nosso inconcreto se concretizou, Não se encaixando em qualquer definição, Avançamos a etapa da distração, Tapando os furos e as gafes, Transpondo muros de pedra sabão. Reciclando Retalhos, Empilhando cascalhos, Fragmento sou, Em meu eu descartável. Resíduos da sua fragrância, Fragmentos da minha lembrança. Todavia não fracassamos, Deveras enfraquecidos estamos. Provavelmente nos recuperamos, Ou recuperaremos As bobeiras que escaparão, Diálogos longos, Bobos parágrafos sem significação. Reciclando Retalhos, Empilhando cascalhos, Fragmento sou, Em meu eu descartável. O sabonete que era seu desgastou, A avelã que me deu estragou, O estoque de aveia esgotou, O banquete pra dois esfriou. A aliança na gaveta E o álbum guardado. Ela está satisfeita, Me vou conformado, Reciclando retalhos Em meu eu descartável. (Compositor: Michel F.M.)

Gerônimo (Nos Estados Banidos da América a Narrativa de Um Nativo Americano)

Gerônimo (Nos Estados Banidos da América a Narrativa de Um Nativo Americano) Poderia ser um índio anônimo, Impetuoso em seu frenesi, Mas consagrou-se Como São Gerônimo, Salvador dos apaches, Protetor dos colibris. Cravejou bravamente tua adaga, Nos que violaram teu brio. Ele não foi um índio anônimo, Ele tinha um nome, Gerônimo ! Presentearam-no com usura, Na fúria que se sucedeu, Vinte anos de clausura, Por um crime que não cometeu. Colonizador ávido em louros, Gerônimo perdido em apuros. Ele não foi um Índio anônimo, Ele tinha um nome, Gerônimo ! Nas Planícies erigiriam condomínios, Ceifaram os espíritos de sua linhagem, No deserto levantaram um cassino, As Doutrinas escoaram pela margem. Porventura não tornou-se um engano, A narrativa de um nativo americano. Toda vastidão de uma peleja épica, Ocorrida nos Estados Banidos da América. Ele não foi um Índio anônimo, Ele tinha um nome, Gerônimo ! (Compositor: Michel F.M.

Espírito Celeste

Espírito Celeste Milhares de quilômetros Nos distanciaram, Os gestos mais inóspitos Revelaram suas faces, Marchei entre parâmetros, Que me dispersaram, A exatidão multiplicou As suas fases. Eu não consegui tocar a Lua, Teu corpo estava ali, teu espírito se fora. Eu não consegui tocar a Lua, A luz da minha noite deixou de iluminar. Acabei cansando E meus olhos serrilharam, Na última cartada Sai com quatro ases, Mas antes da jogada As luzes se apagaram, Só uma fagulha Alicerçou as minhas bases. Eu não consegui tocar a Lua, Roubou de mim a luz dizendo que era sua. Eu não consegui tocar a Lua, Roubou a minha luz dizendo que era sua. Desta noite em diante, Nunca mais a contemplei, Me tornei um cego, Pintando em uma tela, Buscava as cores certas E sem ver não duvidei, Decorei o quarto Que seria a minha cela. Foi longo o período Pelo qual me enclausurei, Nem mesmo os percalços Me fizeram desfocar, Alimentei as forças No percurso que tracei, Obj...

Escritos

Escritos A rajada gelada cortava seu beiço, Estava gripado, tomado de tosse, Cada pisada causava um tropeço, Parábolas eram sua única posse. Um bípede barbado, Com roupas sovadas, Cabelo cacheado E calças rasgadas, A frase lúdica que ele repetia, Não era música, não era poesia, Mas a enfática que ele pretendia, Era sua voz rouca quem transmitia. São apenas escritos, Escritos apenas, Escritos transcritos E reescritos. Não surpreenda-se Com o que não é surpreendente, Estamos muito surpresos ultimamente. O conformismo é o lar do que não foi, Resguardo para o que jamais será. O maior problema que ao crescido cabe, É alimentar a presunção de que tudo sabe. São apenas escritos, Escritos apenas, Escritos transcritos E reescritos. (Compositor: Michel F.M.)

Elo Solene

Elo Solene Estreita medida, Vestida de preto, Cabelos compridos, Cobrindo seu peito. Atraindo o olhar, Centro das atenções, Magnífico andar, Motivo de inspirações. Mas ela não é, Só mais uma mulher. Escondida em seu castelo, Protegida pelo seu Elo, Ela estará, lá estará. O bilhete em chamas Havia sido tingido, Pelas suas lágrimas, Que foram caindo. Ela desistiu De se comunicar, Seu Elo Solene Tinha que completar. Trocou seu amado, Sua paixão, Pelo seu chamado, Sua vocação. Porque ela não é, Só mais uma mulher. Escondida em seu castelo, Protegida pelo seu Elo, Ela estará, lá estará. Quando quiser parar de sofrer, Te digo o que deves fazer, Olhe pro entardecer, Antes de escurecer. E acene. Lá estará, A estrela, Do Elo Solene. Escondida em seu castelo, Protegida pelo seu Elo, Ela estará, lá estará. Quando quiser para de sofrer, Olhe pro entardecer. E acene. Lá estará, A estrela, Do Elo Solene. (Compositor: Michel F.M.)

As 24 Horas Vividas de Um Verme

As 24 Horas Vividas de Um Verme 00h00 - nascimento para uma existência imperceptível 01h00 - descoberta dos primeiros sentidos (dolorosos) 02h00 - engatinha emitindo sons pouco compreensíveis 03h00 - inicia-se o adestramento de insignificância 04h00 - aprende a armazenar desapontamentos 05h00 - forçosamente é inserido à colônia parasítica 06h00 - sofre os maus tratos que traçarão sua deformidade 07h00 - perde qualquer doçura que jamais teve 08h00 - segue-se o adestramento de insignificância (nível intermediário) 09h00 - realiza cursos complementares de sadomasoquismo e submissão 10h00 - conhece a larva que viverá ao seu lado pelos segundos que lhe restam 11h00 - conclui o adestramento de insignificância (nível superior) 12h00 - horário reservado para a única refeição que fará 13h00 - forçosamente é inserido à colônia parasítica profissional 14h00 - procria com o desígnio de dar continuidade Ao sistema vigente 15h...

Detalhes Subliminares

Detalhes Subliminares A nuvem solitária no céu, Lembra a silhueta de uma ilha. A estrela que a milhares De anos luz se dissolveu, Incrivelmente ainda brilha. Estes são os detalhes, Mensagens subliminares, Partes do infinito E dos seus lugares. Detalhes Subliminares. Os trovões reluzem Riscando o firmamento, Vocações conduzem Ao acerto de um invento, As canções traduzem sensações, Emoções produzem Auto-conhecimento, E estimulam as evoluções. O som das árvores Na floresta ecoa, A paisagem dos luares Cobrindo a lagoa, Cena sem magia Para olhos distraídos, Pela tecnologia, Contaminados e feridos, Todos os instintos Estão em extinção, Anulados por produtos Que entorpecem a visão, E a sensibilidade Em um estado terminal, Implora a liberdade Alegando ser vital. Estes são os detalhes, Mensagens subliminares, Partes do infinito E dos seus lugares. Detalhes Subliminares. (Compositor: Michel F.M.)...