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Célula Solitária

Célula Solitária   Triunfo simpatiza com fracasso, Trunfo confia na mesmice, A precisão confidencia ao acaso, Entretanto, não nesta ocasião. Célula solitária Organismo vivo Ambicionando sentido. Fanatismo nocivo Tramando suicídio. Mecanismos destrutivos, Regulamentos erosivos. Próximos demais, Ausência de privacidade. Espécie melancólica Exibindo intimidade. Criaturas homônimas, De interior inabitado. Célula solitária Megalópoles empanturradas de indivíduos, Vidrados nos vultos das caixas de vidro. Beltranos repartindo o jejum, Decompondo-se em vala comum. Oxalá nosso vazio se preenchesse, Restaurando as avarias emotivas, Evitaríamos citar tantos clichês, Ocupando-nos com iniciativas, Alternativas, perspectivas, Tentativas efetivas. Célula solitária Se emancipando Do isolamento da exclusão. (Autor: Michel F.M.)

A Parábola

A Parábola Após descarregar seu discurso inflamado, a respeito dos valores morais e éticos, desmembrou as atitudes que corroem o alicerce da irmandade e das famílias; disparou a ira divina contra os pervertidos, depravados e desnaturados, trucidando os vícios demoníacos que circundam e afogam a sociedade.  Ele deixou a igreja pela porta da frente. Com as costas voltadas para o templo, deu um suspiro; acendeu um cigarro, amaldiçoando em pensamentos todos os bem aventurados. levava consigo a oferenda dos fiéis. Ainda naquela noite, bebeu meio litro de Whisky, cuspiu num vagabundo que lhe implorou auxílio; dirigiu alcoolizado o veículo custeado pela paróquia; Encostou à beira da estrada, deu carona para três crianças, duas meninas e um menino. Irmãos que moravam num acampamento mantido pela congregação. Na madrugada praticou atos terríveis. Os inocentes retornaram ao abrigo. Violados, marcados e corrompidos. irreparáveis em suas perdas. Ele voltou para sua cobertura; admiro...

A Casa de Limões

A Casa de Limões Numa tardinha Me atordoaram C'um causo. Encostado do Moinho da Sardinha, Perambulava um garoto, Que vivia numa casa Feita de limões. Ouvi um cochicho Sobre um jovem Javali Que se tornou padeiro. E outro buchicho Sobre um centenário Jabuti Que se formou doceiro. Mas este boato É de maior capricho, O aposento do guri No topo dum limoeiro. Construção ecológica. Amarrava a dentaria Sua hospedaria. Parecia até mágica Bruxismo ou feitiçaria. Agora eu entendia Quando minha mãe dizia, Que existiam pessoas amargas, Difíceis de manter relações. Também pudera serem azedas, Vivendo numa Casa de Limões. (Autor: Michel F.M.)

Ouço a sua Voz

Ouço a sua Voz Sinto uma tristeza, Quando fico sozinho, Tinha a convicção, Que esse era o caminho. Fui seguindo seus passos, Conduzindo meus atos, As pegadas na areia Começaram sumir. Fiquei preso na teia E os meus atos covardes, Sei que agora é tarde, Para tentar corrigir. Eu tinha a certeza De ter ouvido a sua voz, Sinto uma tristeza Quando nós ficamos sós. Ainda ouço a sua voz, Sozinho torço por nós. Estamos imóveis No mesmo cômodo, A comida e os vinhos Vão estragar, Sei que nossa vida Se tornou um incomodo, Nós nos esquecemos De como amar. Eu tinha a certeza De ter ouvido a sua voz, Sinto uma tristeza Quando nós ficamos sós. Deixamos que os outros Decidam por nós, Mas os outros se vão Quando ficamos sós. Prometo alterar Meu comportamento, Sinto remorso, choro, lamento, Por tudo que fiz você passar. Eu tenho a certeza De ter ouvido a sua voz, Sinto a sua beleza Quando nós ficamos sós. (Autor: Michel F.M.) 

Bem-te-vi (voando por aí)

Como a gota na folha, Em um breve chuviscar, Como o aroma da flor, Na primavera a brotar, Assoviam os bem-te-vis, Lá na copa da cerejeira, Se banhando no chafariz, Namorando a noite inteira. Somos dois Bem-te-vis, Voando por aí. Minha frágil passarinha, De você eu vou cuidar, Vou amá-la com carinho, Protegê-la e guardar, O inverno chegará, Vem de longe e sozinho, Mas o amor não faltará, Pra esquentar nosso ninho. Somos dois Bem-te-vis, Voando por aí. A metamorfose De cores e sons, A fusão de um cristal Em inúmeros tons, Eu e Você Como a Água na Terra, Um abraço e um beijo Onde tudo se encerra. Somos dois Bem-te-vis, Voando por aí. (Compositor: Michel F.M.)

O Amor é Amável

O Amor é Amável O amor é simples e admirável, Complexo e inexplicável, Fogoso e insaciável. Pode ser invisível ou palpável, Mas é com toda a certeza cultivável. Quando verdadeiro é durável, Fortalecido é indestrutível, inquebrável, Se derradeiro mantêm-se infindável, Mas nunca, jamais, intolerável. Sentimento fino e agradável, Nele o respeito deve ser respeitável, Em sua existência, honrado e louvável, Dependendo o caso e a ocasião é inadiável. O amor perfeito é invulnerável, Não pode tornar-se desagradável, Ou então degradar-se tornando-se degradável. Resiste aos trejeitos, a avenida do amor é transitável, Sempre plausível, nunca vaiável, Terrível é aquele irrecuperável. Quando em público é observável, O amor inconsciente é inimaginável, E se amamos quem ama a gente fica inseparável, Prova de amor é inquestionável, A palavra transcende; é inominável. Se fosse metal seria inoxidável, Sendo sincero é insubstituível, ...

Soava Suave o Prazer Implacável

Soava Suave o Prazer Implacável    Foi a chave, fez a clave, Veio a ave num suave sobrevôo. Sobrevoa sobre nós, Sobrevoa Aeronave que transporta A consciência que ecoa. Soava suave O som que me salva, Soou e salvou E que soe e me salve. Soava Suave O Prazer Implacável ! Ecoa numa avalanche De esplendor, Seu esplendor, Sou seu benfeitor, Sou seu devedor. Devo-lhe meu amor como troco E devo supor Que o prazer implacável, Ainda que louco, Deva ser formidável e recíproco. Soando suave O som que me salva, Soou e salvou E que soe e me salve. Soava Suave O Prazer Implacável ! (Compositor: Michel F.M.) ©