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Dia do Anonimato *

Dia do Anonimato * Dobrou a esquina decidido A percorrer um trajeto inabitual, Descendo a rua irregular Notou pedestres e a muvuca central. Gradeados, o asfalto, telhados, Uma mureta com degrau, Lojas, butiques, bazares, Um açougue liquidando bacalhau. Automóveis, lixeiras, lixo no chão E alguma forma vegetal, Flores num canteiro, um bueiro, Caixotes, tubulações em geral. No estacionamento vazio Se encontrava escondido um casal. Paralelo ao centro financeiro, Muitas cifras, cortesia impessoal, Ternos de luxo, limusines, distinção, Suavidade fria e cordial, Um ligeira coxo que revirava Uma tralha imunda próximo ao local. Passava um cliente importante Pelo detector de metais digital. Trinta e dois minutos atrás, Uma madame foi assaltada; um marginal, Foi demitido de um emprego normal, Por não ter concluído 2° grau. Uns metros dali estouraram o cartel De uma quadrilha internacional, Esquema armado, escutas, grampos, Traçado por uma equipe federal. Ergueu a mão prum ex-companheiro Da época...

Fique Margô

Fique Margô Margô fica angustiada, Por não realizar suas proezas. Margô fica assustada, Só de pensar nos desacertos. Margô fica frustrada, Com o acúmulo das despesas. Com a quebra financeira, Fruto de concertos na cozinha E as prestações da geladeira. Margô fica chateada, Pensa estar congelada, Numa monotonia de desventuras. Anteontem saiu Sem rumo à surdina. Em sua quentura Rancou as cortinas, Desorientada e desiludida, Nem o abajur apagô. De todos os pedidos Que desejo lhe pedir, Peço apenas um: Fique Margô ! De todos os pedidos Que desejo lhe pedir, Apenas um peço: Fique Margô ! Por favor. (Compositor: Michel F.M.)

La Chica Radiante

La Chica Radiante Yo no hablo español Pero su sorriso Logo compreendi Estava tão iluminado Estaba muy soleado Que yo no resisti La Chica era muy Radiante Percorreu num instante Todo mi corazón Estaba tan palpitante Que la mía linguagem Se transpôs en canción Más que bela misión Más que una distracción Preservar su equilibrio En mi mejor visión Deparei-me com la pared Pero com su chamego Vivo solamente por usted Y no hay más hasta luego La Chica era muy Radiante Percorreu num instante Todo mi corazón Estaba tan palpitante Que la mía linguagem Se transpôs en canción Yo no hablo español Pero su sorriso Logo compreendi (Compositor: Michel F.M.) ©

Donde Vim

Donde Vim Donde vim... As Românias ruborizam, Margaridas maravilham, As Cidreiras sinalizam ali, Aos observadores Amadores e profissionais, O gramado toma Proporções excepcionais. A diferença é essencial, A igualdade inerente, À variedade natural. Ali, um pouco após a ponte, Vi germinar um monte, De Girassóis no Monte. Ali, para onde o peito aponte, Deixarei jorrar a fonte, Da vitalidade donde vim. Sim, perfumes vencem armamentos, Jasmim versus sofrimento, Balas batidas por Botões. Munições são a forma de despeito, De quem teme o sentimento Mais que os esquadrões. O poder de um ser sozinho, Sob a posse do carinho, Derrotando batalhões. Ali, um pouco após a ponte, Vi germinar um monte, De Girassóis no Monte. Ali, para onde o peito aponte, Deixarei jorrar a fonte, Da vitalidade donde vim. Donde vim é pronde vou, Rindo e ruborizando, Retornando ao que o tornou. (Compositor: Michel F.M.) ©

De: Mim / Para: Ti

De: Mim / Para: Ti Arranjamos amplos limites, Tumultuamos nossas autonomias, Desperdiçamos assuntos pertinentes, Insensíveis as anestesias. Recordo-me com requintes, De desprazeres absolutos, Das ceias natalinas Que não passamos juntos. Do evangelho que lhe teci, Do inesgotável, daqui e dali, Das letras tolas que lhe ofereci, De: Mim / Para: Ti Das franjas esvoaçantes, Do ranger do bebedor, Das transpirações dançantes, Do calor do cobertor. Dos poros que te aspiram, Da mutação das enzimas, Destes termos que desconheço, Dos alucinógenos e das morfinas. Não me interessam as pesquisas, Nem os avanços da medicina, Se os astronautas vão a Marte, Ou se a Arte sincera ensina. Me atenho ao rito da salvação, Glória a ti, Diva da Devoção ! Das agitações desgastantes, Do furor ao nosso redor, Das pausas gritantes, Do adocicado licor. Do evangelho que lhe escrevi, Do inesgotável, daqui e dali, Das letras to...

Dóra

Dóra Desafiadora sem se pronunciar, As qualidades lhe obedecem, São pertences a lhe enfeitar. Remova a maquiagem, E os acessórios enfeitados. Seus dentes perolados Ofuscam a retina, Globos oculares Castanho-esverdeados, Fios alaranjados Semelhados a tangerina, Perfumadas e vibrantes Bochechas de resina. Graduada em hipnose, Sentidos de rapina, Em sua apoteose Furtou-me a idolatria. Desafio Dóra ! Desafiadora a me desafiar. Tua dor de outrora, Minha dor de agora, a descontinuar. Metáforas da Aurora Que hão de demorar. Mitologia nossa, há de nos coroar. O que delonga faz confiar, O que demora faz confiar. Desafio Dóra ! Desafiadora a se entregar. Tua dor de outrora, Minha dor de agora, a descontinuar. Metáforas da Aurora Que hão de demorar. Mitologia nossa, há de nos coroar. Dóra... (Compositor: Michel F.M.) ©

Beijos Cênicos

Beijos Cênicos Sinceramente fingidos, Em nossa ilustração, Individualistas acomodados, Originam mútua identificação. Nossos beijos cênicos, Falsos e adequados, Pacíficos e bélicos, Beijos roubados, Formam boas lamentações. A desconfiança, É o melhor fruto Que por nós colhi. Ácido e amargo, Decretou o luto, Suturando o corte De seu bisturi. Nossos beijos cênicos E inadequados, Fixos e ecléticos, Beijos Roubados, Formam boas lamentações. Lamentavelmente Isso ainda abate, A ausência de Recordações. Prefiro recordar O inadequado, Do que revelar Não ter recordado. Nossos beijos cênicos E dissimulados, Imorais e éticos, Beijos Roubados, Multiplicam nossas divisões. Foram beijos cênicos, Mas de qualquer jeito, Mesmo que roubados, Ainda foram beijos. (Compositor: Michel F.M.) ©