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De: Mim / Para: Ti

De: Mim / Para: Ti Arranjamos amplos limites, Tumultuamos nossas autonomias, Desperdiçamos assuntos pertinentes, Insensíveis as anestesias. Recordo-me com requintes, De desprazeres absolutos, Das ceias natalinas Que não passamos juntos. Do evangelho que lhe teci, Do inesgotável, daqui e dali, Das letras tolas que lhe ofereci, De: Mim / Para: Ti Das franjas esvoaçantes, Do ranger do bebedor, Das transpirações dançantes, Do calor do cobertor. Dos poros que te aspiram, Da mutação das enzimas, Destes termos que desconheço, Dos alucinógenos e das morfinas. Não me interessam as pesquisas, Nem os avanços da medicina, Se os astronautas vão a Marte, Ou se a Arte sincera ensina. Me atenho ao rito da salvação, Glória a ti, Diva da Devoção ! Das agitações desgastantes, Do furor ao nosso redor, Das pausas gritantes, Do adocicado licor. Do evangelho que lhe escrevi, Do inesgotável, daqui e dali, Das letras to...

Dóra

Dóra Desafiadora sem se pronunciar, As qualidades lhe obedecem, São pertences a lhe enfeitar. Remova a maquiagem, E os acessórios enfeitados. Seus dentes perolados Ofuscam a retina, Globos oculares Castanho-esverdeados, Fios alaranjados Semelhados a tangerina, Perfumadas e vibrantes Bochechas de resina. Graduada em hipnose, Sentidos de rapina, Em sua apoteose Furtou-me a idolatria. Desafio Dóra ! Desafiadora a me desafiar. Tua dor de outrora, Minha dor de agora, a descontinuar. Metáforas da Aurora Que hão de demorar. Mitologia nossa, há de nos coroar. O que delonga faz confiar, O que demora faz confiar. Desafio Dóra ! Desafiadora a se entregar. Tua dor de outrora, Minha dor de agora, a descontinuar. Metáforas da Aurora Que hão de demorar. Mitologia nossa, há de nos coroar. Dóra... (Compositor: Michel F.M.) ©

Beijos Cênicos

Beijos Cênicos Sinceramente fingidos, Em nossa ilustração, Individualistas acomodados, Originam mútua identificação. Nossos beijos cênicos, Falsos e adequados, Pacíficos e bélicos, Beijos roubados, Formam boas lamentações. A desconfiança, É o melhor fruto Que por nós colhi. Ácido e amargo, Decretou o luto, Suturando o corte De seu bisturi. Nossos beijos cênicos E inadequados, Fixos e ecléticos, Beijos Roubados, Formam boas lamentações. Lamentavelmente Isso ainda abate, A ausência de Recordações. Prefiro recordar O inadequado, Do que revelar Não ter recordado. Nossos beijos cênicos E dissimulados, Imorais e éticos, Beijos Roubados, Multiplicam nossas divisões. Foram beijos cênicos, Mas de qualquer jeito, Mesmo que roubados, Ainda foram beijos. (Compositor: Michel F.M.) ©

Mica

Mica Atributos múltiplos, Miscelânea rica, Casta substância Da conduta eclética. Uma musa mística, Evocaste Mica ! Micaelle, O infinito não nos deterá ! Micaelle, O indefinido nos definirá ! Em definitivo, Só a variável restará. Mica, miscelânea rica. Mirra modelada Pelo privilégio, Privilegiada Unida ao florilégio. Fina flor sortida, Assim amplificada, Amabilidades, Regidas e regadas. Micaelle, O infinito não nos deterá ! Micaelle, O indefinido nos definirá ! Em definitivo, Só a variável restará. Mica, O infinito não nos deterá ! (Compositor: Michel F.M.) © 2011

15 pras 8 em Hiroshima

15 pras 8 em Hiroshima Numa segunda-feira fresca de agosto, Novidades repetidas soavam no rádio. Asami despertou, com o assovio Angelical dos rouxinóis. Lavou seu rosto na bacia, Escovou os dentes, Arrumou seus lençóis, Calçou os sapatos de feltro, Após colocar as meias de algodão, Seus tornozelos doloridos, Um repuxão, devido à queda do balanço. Mas surgia um novo dia, Ela enrolou seu lenço no pescoço, Mostraria àquele parquinho, Quem era a menina das acrobacias, Desceu as escadarias, ligeira; Na mesa comida típica, Um desjejum de algumas delícias. Mamãe abotoou a gola de linho, Penteou seus cabelos, fez carícias, Regou as plantas com carinho. Colheu um ramo de cerejeira, Organizou a estante, os bibelôs E as porcelanas na penteadeira; Encostou as tramelas dos vitrôs. A esta altura estava atrasada, Asami ficou sem carona, O ônibus passou na estrada, Teria ela uma maratona. Uma milha a pé caminhou, Pelo bosque sacro andou, Uma árvore de Ipê avistou, Cruzando a praça e a venda. Comeu alg...

O Imperador Pirou (A vulnerabilidade do invulnerável)

O Imperador Pirou (A vulnerabilidade do invulnerável) Em um Império Remoto, Longe de qualquer progresso, Imperava um Imperador, Temido por seus excessos. Seus domínios extensos, Das pastagens à cordilheira, Não serviram de aperitivo, Ao cruzar com a borralheira. O ilustre se cativou Com aquele avental, Sua política interna Virou extrema liberal, Ao contemplar a lavadeira Numa tarefa eventual. Uau. O Imperador Pirou, Se fez de camponês, Um barril de rum bebeu, Rasgou seu manto em três, Se proclamou plebeu, Abandonou o clube inglês, Não pensou no que perdeu, Só pensou no que não fez. Jamais se arrependeu, E no final era uma vez... Deu as costas à realeza E o galanteio virou papo, Seria ele e sua duquesa A Imperatriz do Farrapo. Nos registros do reinado Anotava-se um prefácio, A paixão de um sangue azul Pela empregada do palácio. O Imperador Pirou, Se fez de camponês, Um barril de rum bebeu, Rasgou seu manto em três, Se proclamou plebeu, Deixou de ser burguês, Não pensou no que perdeu...

Tosca Beleza

Tosca Beleza Algumas situações são inexplicáveis, outras situações simplesmente não precisam de explicação, ela não precisava, eu precisava dela. Aquele lugar inteiro estava em uma imundice só, uma baderna infernal; lixo, sujeira, pilhas de tranqueiras trancando a passagem, um piso encardido, ambientes encardidos, móveis encardidos. Ela acordou depois das 10h, deveria ter saído às 9h30; uma cara amassada pelo sono profundo da madrugada, um rosto belíssimo. Dizer que vê-la naquele estado matinal era encantador seria pouco, vestindo um pijama completamente esgarceado, desbotado e terrivelmente sensual, ela era toda errada e comum. Na maioria absoluta das vezes dispensava qualquer formalidade e etiqueta, era anti-etiquetas, fossem sociais ou em vestimentas informais, era informada, era formada e briguenta. Seu relaxo era charme, a negligência consigo mesma, forjava sua singularidade. Empurrou o portão, saiu. Na rua, na realidade mundana, era o centro, o centro de convergência, centralizav...