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A certeza de uma quase catarse matinal [Em 10 Manhãs]

A certeza de uma quase catarse matinal [Em 10 Manhãs] Um gesto pra amar Um beijo pra sentir Um teto pra abrigar Uma manhã pra refletir Uma língua pra falar Um filme pra assistir Um tempo pra pensar Uma manhã pra refletir Uma lei pra se opor Um trato pra cumprir Uma canção pra compor Uma manhã pra refletir Uma poça pra saltar Uma peça pra aplaudir Um jantar pra alimentar Uma manhã pra refletir Uma fuga pra achar Um caminho pra fugir Uma história pra contar Uma manhã pra refletir Um vício pra deixar Um afeto pra sorrir Um amor pra guardar Uma manhã pra refletir Uma vida pra viver Uma perda pra punir Uma dor pra esquecer Uma manhã pra refletir Um discurso pra inspirar Um concurso pra competir Uma pedra pra chutar Uma manhã pra refletir Uma muda pra plantar Uma roupa pra vestir Um planeta pra mudar Uma manhã pra refletir Um Deus para rezar Uma prece pra pedir Um milagre pra salvar Dez manh...

(Des) rimando

(Des) rimando Tratando de incoerência lavamos nós, Nas cataratas das tremulações cerebrais. Isto não vai rimar com aquela outra coisa, Em nossa estrofe nada rima, O nosso intuito é des-rimar. Sei que isso rimô, mas paro por aqui. Mas parô... Tecnologia rima com caos, Silêncio rima com paz, Guerra rima com o ato insano de autodestruir-se. Educação rima basicamente com todas as teorias de progresso, Já que o amor é progresso e o progresso é a educação. Dizia Tiba: quem ama, educa ! Qualquer data rima com feriado, Queijo rima com ovo, Arroz e Feijão com bife, E pra quem é vegetariano com algo natural, Que não rime com origem animal. Homem rima com mulher, Ou com quem homem e mulher quiser rimar. Alfa rima com beta e ômega, Fim com início e meio, Dinheiro rimaria com pobre, Mas como ninguém assim escreveu, Rico rima com esnobe. Água rima com terra e solo com vegetação, Preto rima com Branco e com azul, amarelo e vermelho. Novo rima com velho e este com experiência, Não rimando com a pressa...

Marinheiro do Farol

Marinheiro do Farol Um velho marinheiro em sua última viagem, Sem nenhum dinheiro, rico em camaradagem, Juntou as suas tralhas pra desembarcar, No convés a residência que devia abandonar. O mercado a direita e a taberna à esquerda, Foram sua família na época das cheias, E encostada num barril estava á jóia mais cara, A conquista de um pirata, a mulher que ele amara. O amor no farol, Fez aquele marinheiro se orientar melhor. O amor no farol, Fez daquele marinheiro um homem melhor. Saindo da labuta, No abrigo marítimo, Ele ditaria serenamente seu ritmo. O amor no farol, Fez aquele marinheiro se orientar melhor. O amor no farol, Fez daquele marinheiro um homem melhor. O amor é tão lindo, Que fez aquele velho, Se sentir um menino. O amor no farol, Fez aquele marinheiro se orientar melhor. O amor no farol, Fez daquele marinheiro um homem melhor. (Composição: Michel F.M.)

Idioma dos Ingênuos

Idioma dos Ingênuos - Genialidade é relativa, Ingenuidade é uma benção, Jovialidade depreciativa, Intensidade só quando há intenção. - Nossa rota é a deriva, Movida na Tensão, Temida entre tantos, Atentos à missão. - A genialidade do idioma dos ingênuos, Gerou em mim as gírias temidas pelos gênios. - Gênios Ingênuos escreveram utopias, Geralmente separavam obra e teoria, Quem muito falava pouco ouvia, Quando adivinhava é porque temia. - A genialidade do idioma dos ingênuos, Gerou em mim as gírias temidas pelos gênios. - Grandes segredos sagrados Segregados a agregar. - Livrou-me dos Jargões, Levou-me a descansar, Fora do quadrante, Cultos a ocultar, Os grandes segredos sagrados Segregados a agregar. - A genialidade do idioma dos ingênuos, Gerou em mim as gírias temidas pelos gênios. - Grandes segredos sagrados Segregados a agregar. - Temam a inocência, Ela é nossa aliada, Contra sua arrogância, Ignorância inveterada. - O Idioma dos Ingênuos Temido pelos gênios É o que irá agregar. - (C...

Que o certo seja dito

QUE O CERTO SEJA DITO Porque leva nas costas O peso dos outros ? Que tal a sensação das derrotas Depois dos encontros ? Refrão Que o certo seja dito, Nem sempre fazemos bonito, Mas tocamos o barco mesmo assim. Se guardar as angústias isso vira o seu fim. Compartilhar é perder e perder, Pra só então perceber que ganhou o respeito, Porque aprendeu a ceder e ceder. Mas o efeito nem sempre é aceito. Refrão Que o certo seja dito, Nem sempre fazemos bonito, Mas tocamos o barco mesmo assim. Se guardar as angústias isso vira o seu fim. Difícil é ter que aturar, Pessoas que pensam deter a verdade. Obtusas, não percebem, Que pra se expressar não existe idade. Refrão Que o certo seja dito, Nem sempre fazemos bonito, Mas tocamos o barco mesmo assim. Se guardar as angústias isso vira o seu fim. Não importa o que eu quis dizer, Importa o que você quis entender, Entenda como quiser, Ou não entenda se é o que quer. (Compositor: Michel F.M.)

Meu Pai Dizia

Meu Pai Dizia Um dia foram pais carinhosos, Hoje não são mais do que idosos. Pelos aprendizes são mal tratados, Vivendo uma vida de aposentados. Em um dia foram mestres, No outro foram fardos. Membros de um grupo desgarrado, Pais da evolução, filhos da perdição. Refrão Um dia eu ouvi meu Pai dizer: Só morre de verdade quem não viver, Porque quem vive e faz por merecer, Jamais verá o eterno anoitecer. E o velho retirante se coloca a caminhar, Na busca por um fio do passado a restaurar, Passado em que sentiu orgulho de viver, Viveu e assumiu paixões no entardecer, Sem medo do escuro dominar sua clareza, Usou toda a artimanha era o rei da esperteza, Não detinha um centavo mais foi o mestre da nobreza. Refrão Um dia eu ouvi meu Pai dizer: Só morre de verdade quem não viver, Porque quem vive e faz por merecer, Jamais verá o eterno anoitecer. Ouvimos os murmúrios, aprendemos os martírios, Sentimos o perfume mergulhando sobre os lírios, E no final da trilha te sobraram dois destinos, Ou o asi...

Simplório mas Sincero

Habituado aos costumes rotineiros da prática usual Logo, liguei quatorze dos quinze computadores, um deles estava com problemas, sabe aquelas panes sem solução para um reles mortal recém virtualizado, ou nem tanto. Daí eu fiz o mesmo percurso que faço todos os dias, de uma sala à outra, para depois regressar com a criançada e começar as nossas atividades, mais enriquecedoras para mim do que para eles. Quando chego na porta, aquele Auê de sempre, a molecada grita, esperneia, ouço uns vinte e cinco chamados, “ Tio, tio, Ó o tiooooo... ” Olho para a professora para ver se ela já encerrou as tarefas, para que possamos prosseguir para a hora tão aguardada pela mini-platéia. – Podemos ir ? – pergunto – Ah, lembrei que preciso aplicar uma provinha pra eles hoje. – Ela responde. E em um instante o alvoroço e a espectativa se transformam em uma dupla frustração. Sem aula de informática e com uma prova para substituí-la, tudo com o que qualquer criança jamais simpatizou. Mas é assim, a escola te...